[2022] Paralisia cerebral: o que é, causas, sintomas e tratamento

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Você sabe o que é paralisia cerebral? Quais são os seus sintomas? Essa doença tem cura? Descubra tudo isso e muito mais nesse artigo.

Imagine a situação abaixo:

Você percebe que seu filho, agora com 2 anos de idade, apresenta rigidez muscular que dificulta a movimentação dos braços e das pernas.

Ele também apresenta dificuldade para andar, falta de equilíbrio, falta de coordenação motora e dificuldade para falar.

Então, você se recorda que desde o nascimento ele vinha apresentando dificuldade para sentar, para firmar a cabeça e o corpo e para se apoiar. 

Ao relembrar as condições de parto, você percebe que o pré-natal transcorreu normalmente, mas seu filho demorou para nascer, ficando roxo e necessitando ficar na UTI neonatal por alguns dias. 

Ainda, ele apresentava dificuldade para sugar o leite e também tinham um choro bem fraco 

Preocupado com a saúde do seu filho, você o leva ao neuropediatra e, após uma minuciosa avaliação e realização de exames, é informado que ele sofre de paralisia cerebral

Se você sofre com esta doença, conhece alguém com este quadro, ou apenas quer aprender mais sobre o assunto, acompanhe esse texto até o final!

criança com paralisia cerebral

O que é paralisia cerebral?

A paralisia cerebral é uma lesão neurológica decorrente de danos que ocorrem no cérebro em desenvolvimento afetando os movimentos, a postura, o tônus muscular e as habilidades motoras.

Assim, essa doença pode levar ao surgimento de perda de equilíbrio, falta de coordenação, movimentos involuntários e até mesmo dificuldade na fala ou na caminhada.

Em algumas pessoas, pode estar associada à epilepsia, a problemas na visão, audição ou deficiência intelectual.

Quais são as causas de paralisia cerebral? 

A paralisia cerebral é causada pelo desenvolvimento anormal do cérebro ou por um dano cerebral durante o seu desenvolvimento, ocorrendo normalmente antes do nascimento, mas também podendo ocorrer durante o trabalho de parto ou mesmo na infância. 

Assim, a principais causas de paralisia cerebral são as: 

  • Mutações genéticas que levam a malformações do cérebro;
  • Infecções maternas durante a gravidez como a rubéola, o herpes, sífilis toxoplasmose ou mesmo a zika;
  • Sangramento ou hemorragia intracraniana no feto ainda no útero, ou mesmo após o nascimento;
  • Acidente vascular cerebral ocorrido no feto;
  • Parto prematuro;
  • Falta de oxigenação do cérebro do bebê durante o trabalho de parto;
  • Hipoglicemia neonatal (açúcar baixo no sangue da criança);
  • Kernicterus (uma doença causada pela icterícia neonatal em que o bebê fica amarelinho e muitas vezes precisa de banho de luz);
  • Infecções neonatais como a meningite, a septicemia, a vasculite ou mesmo encefalite;
  • Traumatismo craniano na infância. 

Fatores que podem aumentar o risco de paralisia cerebral

Além disso, outros fatores podem aumentar o risco de paralisia cerebral, como:

  • Gestações múltiplas;
  • Restrição de crescimento intrauterino;
  • Uso de drogas durante a gravidez;
  • Pré-eclâmpsia;
  • Corioamnionite;
  • Alterações na placenta;
  • Aspiração de mecônio por parte da criança.

Quais são os principais sintomas da paralisia cerebral? 

Os sintomas da paralisia cerebral geralmente não são percebidos logo após o nascimento, sendo normalmente observados durante os primeiros dois ou três anos de vida da criança.

Nesse sentido, eles podem ser classificados de leves a graves, podem melhorar ou mesmo piorar com o tempo e dependem da região afetada do cérebro.

Os principais sintomas que podem ocorrer em crianças com paralisia cerebral incluem:

  • Atraso no desenvolvimento durante a infância (como, por exemplo, sentar engatinhar ou mesmo andar);
  • Rigidez muscular (que dificulta a movimentação dos braços e das pernas);
  • Dificuldade para andar;
  • Falta de equilíbrio e coordenação motora;
  • Tremores ou movimentos involuntários;
  • Fraqueza nos braços ou nas pernas;
  • Dificuldade para mastigar ou até mesmo para comer; 
  • Problemas para engolir;
  • Excesso de saliva;
  • Atraso na linguagem ou problemas na fala;
  • Problemas na visão, cegueira ou movimentos anormais nos olhos;
  • Dificuldade de audição ou surdez;
  • Dificuldades intelectuais ou mesmo dificuldades de aprendizado;
  • Atraso no crescimento resultando em uma baixa estatura; 
  • Epilepsia;
  • Convulsões;
  • Dificuldades para respirar;
  • Sensibilidade excessiva ao toque ou mesmo dor excessiva;
  • Problemas na bexiga ou intestino como incontinência urinária ou mesmo a prisão de ventre;
  • Distúrbios do comportamento 

É importante sempre consultar um médico especialista quando a criança apresentar alguns dos sintomas de paralisia cerebral.

A partir disso, poderá ser realizado o diagnóstico e se iniciar o tratamento adequado o mais rápido possível. 

paralisia cerebral como agir

Quais são os tipos de paralisia cerebral? 

Existem diferentes tipos de paralisia cerebral que estão relacionadas com a região do cérebro afetada, pois eles causam alterações dos movimentos ou tônus muscular específico. 

Dessa forma, paralisia cerebral pode ser classificada como: 

Paralisia cerebral espástica 

A paralisia cerebral espástica é o tipo mais comum e afeta 80% por cento das crianças.

Ela é caracterizada por rigidez muscular e reflexos exagerados, além de dificuldade em realizar ou coordenar os movimentos, como andar, cruzar as pernas ou pegar objeto. 

Paralisia cerebral hipotônica 

A paralisia cerebral hipotônica é caracterizada por uma redução do tônus muscular.

Assim, os músculos excessivamente relaxados e enfraquecidos, podem causar dificuldade no bebê em manter o pescoço firme e o controle da cabeça, levando a dificuldades respiratórias, além da fala e do andar.

Paralisia Cerebral Discinética ou Paralisia Atetóide

É caracterizada por afetar a coordenação motora e os movimentos involuntários lentos, rápidos e na forma de espasmos nos braços, pernas e mãos, causando dificuldade para andar ou se sentar, por exemplo.

Em algumas crianças o rosto e a língua podem ser afetados levando a dificuldade para falar o mesmo para engolir.

Paralisia cerebral atáxica 

É um tipo menos comum, caracterizada por tremores e movimentos descoordenados, dificuldade no equilíbrio, na coordenação motora e na caminhada e também nos movimento finos com agarrar objetos ou mesmo escrever.

Paralisia cerebral mista

Ainda, algumas crianças podem apresentar uma combinação de sintomas dos diferentes tipos de paralisia cerebral, sendo conhecida como paralisia cerebral mista, normalmente causada por uma mistura de paralisia cerebral espástica e discinética.

Como confirmar o diagnóstico de paralisia cerebral? 

O diagnóstico da paralisia cerebral é feito pelo pediatra por meio de:

  • História clínica da criança;
  • Avaliação física;
  • Exame neurológico completo;
  • Análise dos sintomas;

Além de outros exames complementares, como ressonância magnética e ultrassom craniano, o eletroencefalograma e outros exames que permitem identificar o tipo de paralisia cerebral conforme a área do cérebro que foi afetada.

Outros testes que podem ser feitos são os exames de sangue, urina ou da pele, para detectar alterações genéticas ou metabólicas. 

Além disso, o pediatra pode encaminhar a criança para outras especialidades médicas como a oftalmologia, otorrinolaringologia ou neurologista, para avaliar outras condições que podem estar associadas com a paralisia cerebral.

Como é feito o tratamento da criança com paralisia cerebral? 

O tratamento da paralisia cerebral deve ser feito com orientação médica ao longo da vida, com o objetivo de ajudar a criança a ganhar ou desenvolver habilidades e diminuir o risco de complicações, como malformações articulares, problemas respiratórios ou convulções, por exemplo. 

Assim, os principais tratamentos da paralisia cerebral são:

Uso de remédio 

Os remédios para a paralisia cerebral indicados pelo médico podem ajudar a diminuir a rigidez e espasmos musculares, como relaxantes musculares tomados por via oral ou mesmo aplicação de botox nos músculos, ou nos nervos. 

Além disso, o botox (a toxina botulínica) também pode ser aplicado em glândulas salivares para reduzir a produção excessiva de saliva.

Fisioterapia 

A fisioterapia é feita com exercícios indicados pelo fisioterapeuta, e tem como objetivo fortalecer os músculos, melhorar a força, a flexibilidade, o equilíbrio e a coordenação motora. 

Alguns desses exercícios podem ser feitos em casa sob orientação do fisioterapeuta 

Em algumas crianças, pode ser indicado fazer fisioterapia para ajudar na fala, na deglutição e também para melhorar a respiração.

Terapia ocupacional

A terapia ocupacional é uma ótima opção para aumentar a qualidade de vida e ajudar a criança ganhar independência nas atividades do dia a dia como comer ou andar, por exemplo. 

Isso porque, nas sessões de terapia ocupacional, o profissional ajuda a criança a utilizar alguns equipamentos auxiliares, como talheres especiais, andadores ou cadeiras de rodas.

Fonoaudiologia 

A fonoaudiologia é indicada para ajudar a melhorar a capacidade de fala e da comunicação através da linguagem dos sinais, além das dificuldades para comer ou engolir, e deve ser orientada por um fonoaudiólogo. 

Cirurgia ortopédica 

A cirurgia ortopédica pode ser indicada pelo médico para corrigir deformações nos ossos ou nas articulações causadas pela rigidez muscular.

Além disso, a cirurgia ortopédica pode ajudar a aliviar a dor e melhorar os movimentos musculares da região afetada. 

Cannabis medicinal 

Nos últimos anos, o uso de cannabis medicinal tem ajudado crianças com paralisia cerebral a terem mais qualidade de vida, especialmente no controle da espasticidade, das convulsões, da dor, do sono e das alterações comportamentais.

Mais estudos ainda são necessários para saber os benefícios e os potenciais efeitos adversos desta substância, mas os resultados até o momento têm sido promissores 

Conclusão

Para concluir, a paralisia cerebral é uma condição frequente e traz consequências para a criança e para sua família.

Apesar de não haver cura, o tratamento multidisciplinar, iniciado o mais cedo possível, ajuda a melhorar a qualidade de vida das crianças e de seus familiares.

Ainda pesquisas com novos medicamentos, dentre eles os derivados da cannabis, tem se mostrado promissores.

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