Epilepsia

Eletroencefalograma (EEG): O Que É, Para Que Serve e Como É Feito

11 de jul. de 20267 min de leitura
Paciente realizando eletroencefalograma com eletrodos posicionados no couro cabeludo enquanto a atividade elétrica cerebral é registrada

Resposta direta

O eletroencefalograma, ou EEG, é um exame que registra a atividade elétrica do cérebro por meio de eletrodos colocados sobre o couro cabeludo. Ele ajuda a investigar epilepsia, alterações do sono e outras condições que afetam o funcionamento cerebral. O procedimento costuma ser indolor e pode incluir respiração profunda, luzes intermitentes ou sono para observar diferentes padrões. Um EEG normal não descarta epilepsia e o resultado deve ser interpretado junto com a história clínica e outros exames.

Eu sou o Doutor Francinaldo Gomes, médico neurocirurgião, especialista em neuromodulação, epilepsia e cannabis medicinal, e neste artigo vou explicar o que é o eletroencefalograma, para que ele serve e como é feito.

Receber um pedido de EEG pode causar preocupação, sobretudo quando houve um desmaio, uma crise ou um comportamento incomum. O exame, porém, é uma etapa de investigação: ele fornece informações sobre a atividade elétrica cerebral, mas não substitui a avaliação médica nem responde sozinho a todas as perguntas.

O que é o eletroencefalograma?

O eletroencefalograma, também chamado de EEG, é um exame que registra a atividade elétrica do cérebro. Pequenos eletrodos posicionados sobre o couro cabeludo captam os sinais produzidos pelas células cerebrais e os transformam em traçados para análise.

Segundo o MedlinePlus, os eletrodos registram a atividade cerebral, mas não enviam eletricidade para a cabeça. Isso significa que o equipamento não dá choque e não lê pensamentos.

O EEG também é diferente de exames que produzem imagens anatômicas. Ele mostra como a atividade elétrica se comporta durante o período registrado; por isso, pode complementar — e não substituir — a história do paciente, o exame neurológico e outros testes solicitados pelo médico.

Para que serve o EEG?

O EEG serve principalmente para procurar alterações na atividade elétrica cerebral e ajudar na investigação de episódios suspeitos de crise epiléptica. Ele também pode ser solicitado em avaliações de distúrbios do sono e de outras condições que afetam o cérebro.

De acordo com o NHS, o exame pode auxiliar na investigação e no acompanhamento de epilepsia, problemas de sono, inflamação cerebral, demência e algumas lesões cerebrais. A indicação, entretanto, depende da pergunta clínica feita pelo profissional que acompanha o paciente.

Na investigação de epilepsia, o médico procura padrões elétricos que possam apoiar a classificação dos episódios. Essa informação pode ajudar a distinguir diferentes tipos de epilepsia, mas o traçado precisa ser relacionado ao que ocorreu antes, durante e depois da crise.

Nem todo episódio de olhar parado é necessariamente epiléptico. Quando há suspeita de crise de ausência, por exemplo, a descrição de quem presenciou o evento e o EEG podem oferecer informações complementares. Da mesma forma, uma crise convulsiva pode ter causas diferentes, que exigem avaliação individual.

Como é feito o exame?

O EEG é feito com eletrodos fixados no couro cabeludo e conectados a um aparelho que registra os sinais cerebrais. O procedimento de rotina costuma ser indolor e o registro geralmente leva cerca de 20 a 40 minutos, embora o tempo total no serviço possa ser maior por causa da preparação.

O passo a passo costuma incluir:

  1. O profissional mede a cabeça e marca os pontos onde os eletrodos serão colocados.
  2. Essas áreas são limpas, e os sensores são fixados com uma pasta ou um adesivo apropriado.
  3. A pessoa permanece sentada ou deitada, procurando relaxar e evitar movimentos desnecessários.
  4. Em alguns momentos, pode ser solicitado abrir e fechar os olhos, respirar profundamente ou observar luzes que piscam.
  5. Ao final, os eletrodos são removidos e o couro cabeludo é limpo.

O NHS explica que a respiração profunda e a estimulação luminosa podem ser usadas para observar se provocam mudanças no padrão elétrico registrado. Essas etapas são feitas de maneira controlada e podem não ser necessárias em todos os exames.

O exame não costuma doer. Pode haver leve incômodo com a limpeza da pele, a pasta ou a permanência na mesma posição. O cabelo também pode ficar pegajoso depois, mas normalmente pode ser lavado ao chegar em casa.

Como se preparar para o EEG?

Para se preparar, lave o cabelo e chegue com o couro cabeludo limpo, seco e sem produtos. Não suspenda medicamentos por conta própria: qualquer mudança deve ocorrer apenas se o médico ou o serviço responsável orientar.

As recomendações mais comuns são:

  • lavar o cabelo na véspera ou no dia do exame;
  • não usar gel, creme, óleo, spray ou outros produtos capilares;
  • informar todos os medicamentos e suplementos em uso;
  • fazer a alimentação habitual, salvo orientação diferente;
  • evitar cafeína pelo período indicado pelo serviço;
  • levar o pedido médico e exames anteriores relevantes.

O MedlinePlus orienta que alguns pacientes podem precisar evitar cafeína por 8 a 12 horas antes do teste. Como os protocolos variam, siga a instrução específica do local onde fará o EEG.

Em determinados casos, o médico solicita um EEG com privação de sono. A pessoa recebe instruções sobre quanto poderá dormir na noite anterior, porque o objetivo é aumentar a chance de registrar sonolência ou sono durante o exame. Não improvise uma noite sem dormir: além de não ser necessário em todo EEG, dirigir com sono pode colocar você e outras pessoas em risco.

Quais são os tipos de EEG?

Os tipos de EEG diferem principalmente pelo tempo de registro e por incluir ou não o sono e o vídeo. A escolha depende da frequência dos episódios, da dúvida clínica e do que apareceu — ou não apareceu — em exames anteriores.

EEG de rotina

É o registro mais curto e frequentemente é o primeiro solicitado. Pode incluir momentos com olhos abertos e fechados, respiração profunda e luzes intermitentes. Como observa uma janela limitada de tempo, pode não captar uma alteração que ocorre apenas ocasionalmente.

EEG com sono ou privação de sono

Busca registrar a transição para o sono ou o período em que a pessoa está dormindo. O NHS descreve que, no EEG com privação de sono, o paciente dorme menos na noite anterior para facilitar o sono durante o teste. Crianças podem receber orientações específicas conforme a idade e o horário do exame.

EEG prolongado e vídeo-EEG

O registro prolongado acompanha a atividade cerebral por mais tempo. No vídeo-EEG, a gravação da imagem é sincronizada ao traçado, permitindo comparar um comportamento ou episódio visível com a atividade elétrica daquele mesmo momento.

Há também monitorização ambulatorial, realizada com equipamento portátil durante atividades do cotidiano. Segundo o NHS, esse formato pode registrar a atividade cerebral por um ou mais dias, conforme a indicação.

O que o resultado pode mostrar?

O resultado pode mostrar padrões elétricos dentro do esperado ou alterações que ajudem a explicar os sintomas investigados. Entretanto, um EEG alterado não deve ser lido fora do contexto, e um EEG normal não descarta epilepsia.

Um profissional treinado analisa características do traçado, sua distribuição e eventuais mudanças durante o sono ou as manobras do exame. O laudo é então enviado ao médico solicitante, que relaciona esses achados à descrição dos episódios e aos demais dados clínicos.

O MedlinePlus ressalta que resultados anormais podem ter causas diferentes e que outros exames podem ser necessários. Portanto, o EEG não deve ser usado pelo paciente para confirmar um diagnóstico por conta própria.

Por que um exame normal não encerra a investigação? Porque o EEG registra apenas o período em que a pessoa esteve conectada ao equipamento. Uma alteração intermitente pode não surgir nessa janela; conforme o caso, o médico pode considerar repetir o teste, registrar o sono ou usar monitorização mais prolongada.

Da mesma forma, uma alteração no traçado não define automaticamente a causa de um desmaio ou de movimentos involuntários. A interpretação responsável evita tanto falsa tranquilização quanto tratamento desnecessário.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica quando houver um primeiro episódio de perda de consciência, convulsão, olhar fixo sem resposta, confusão súbita recorrente ou movimentos involuntários sem explicação. Quem já tem diagnóstico também deve comunicar mudanças no padrão, na duração ou na recuperação das crises.

Busque atendimento de urgência e ligue para o SAMU 192 se uma crise não cessar, se episódios se repetirem sem recuperação da consciência, se houver dificuldade para respirar, ferimento importante, crise na água ou ocorrência durante a gestação. Enquanto aguarda ajuda, proteja a cabeça, afaste objetos perigosos, não segure os movimentos e não coloque nada na boca.

Leve à consulta uma descrição do episódio, sua duração aproximada, o que aconteceu antes e depois e, se houver um registro feito com segurança, mostre-o ao médico. Esses dados podem ser tão importantes quanto o próprio laudo para decidir os próximos passos.

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.

Perguntas frequentes

EEG detecta o quê?
O EEG registra a atividade elétrica cerebral e pode mostrar padrões incomuns associados a epilepsia e a outras alterações do funcionamento do cérebro. Ele não produz uma imagem do cérebro nem deve ser interpretado isoladamente.
Precisa dormir antes do eletroencefalograma?
Nem sempre. Em um EEG de rotina, geralmente não é necessário dormir antes, mas o serviço pode pedir redução do sono quando precisa registrar você sonolento ou dormindo. Siga apenas a orientação recebida para o seu exame.
Pode comer antes do EEG?
Em geral, pode comer normalmente antes do exame. Pode haver orientação para evitar bebidas e alimentos com cafeína nas horas anteriores, e qualquer instrução específica do serviço deve prevalecer.
EEG normal descarta epilepsia?
Não. O EEG registra apenas a atividade cerebral do período examinado, e as alterações podem não aparecer naquele momento. O médico combina o resultado com a descrição dos episódios, o exame clínico e, quando necessário, outros testes.
Quanto tempo demora o resultado do EEG?
O prazo varia conforme o serviço e o tipo de registro realizado. Um profissional precisa analisar o traçado antes da emissão do laudo; confirme a previsão diretamente no local do exame.

Fontes

Dr. Francinaldo Gomes, Neurocirurgião

Escrito e revisado por

Dr. Francinaldo Gomes

Neurocirurgião

CRM 6346 PA · RQE 3805 · CRM 103790 SP · RQE 305

Neurocirurgião especialista em neurocirurgia funcional, com atuação em Belém-PA e São Paulo-SP.