Saúde e Orientações
Escala de Glasgow: o que o número mede
Resposta direta
A Escala de Glasgow é uma ferramenta que a equipe usa para medir o quanto a pessoa abre os olhos, fala e se mexe depois de um traumatismo cranioencefálico. Segundo a OMS, a nota mais alta é 15 e a mais baixa é 3. Em criança, a mesma orientação da OMS é usar a escala AVPU, não a de Glasgow. O número não substitui o atendimento.
Um número escrito no papel da emergência assusta a família. A Escala de Glasgow existe para a equipe comparar a resposta da pessoa ao longo das horas, não para um cálculo feito na sala de casa.
Eu sou o Doutor Francinaldo Gomes, médico neurocirurgião, especialista em neuromodulação, epilepsia e cannabis medicinal, e neste artigo vou explicar o que a escala mede, o que a OMS registra como nota máxima e mínima, e quando a pancada na cabeça pede o SAMU 192.
O que é a Escala de Glasgow?
A Escala de Glasgow é uma ferramenta de beira de leito. O MedlinePlus descreve o uso dela no traumatismo cranioencefálico: a equipe pode usá-la para ter uma ideia da gravidade da lesão.
Ela não é um exame de sangue e não é uma tomografia. É uma observação repetida. A mesma pessoa pode ter uma nota na chegada e outra uma hora depois. A mudança importa tanto quanto o número isolado.
A escala também não diz a causa. Uma pessoa pouco responsiva depois de uma queda pode ter uma concussão, um hematoma subdural ou outro problema. O número organiza a urgência. O diagnóstico vem da história, do exame e, quando indicado, da imagem.
O que a escala mede?
Segundo o MedlinePlus, a escala mede três coisas: a capacidade de abrir os olhos, de falar e de se mexer.
Na prática, a equipe observa se a pessoa abre os olhos sozinha ou só quando chamada, se a fala está orientada ou ausente, e se o movimento obedece a um pedido ou só aparece diante de um estímulo. Esses três eixos são somados numa nota só.
Esta página não reproduz a tabela ponto a ponto. Quem aplica a escala é a equipe treinada, no momento do atendimento. Um familiar que tenta marcar os pontos em casa pode errar o estímulo e atrasar a ligação para o socorro.
O que significam 3 e 15?
A FAQ de formulários de pronto-socorro da OMS responde direto: a nota mais alta é 15 e a mais baixa é 3.
15 é a resposta mais plena que a escala registra. 3 é a resposta mínima. Entre os dois extremos, uma nota menor significa menos resposta naquele instante. A OMS também registra que, quando a pessoa está intubada, usa-se uma nota qualificada, porque o tubo na via aérea muda a forma de pontuar a fala.
Não uso nesta página as faixas de trauma leve, moderado ou grave. Elas circulam em materiais de ensino, mas não estão nessa FAQ da OMS, que é a fonte do 3 e do 15 aqui. O que dá para afirmar com essa fonte é o teto, o piso e a necessidade de qualificar a nota na pessoa intubada.
Escala de Glasgow em crianças
A mesma FAQ da OMS diz para não usar a Escala de Glasgow em paciente pediátrico. A orientação é a escala AVPU.
AVPU, nas palavras da OMS, funciona assim. Normal: alerta. Alterado: responde só à voz, só à dor, ou está inconsciente.
Pais que pesquisam a nota do filho depois de uma queda devem levar essa distinção a sério. Aplicar a tabela do adulto numa criança pequena confunde o relato. O que ajuda o plantão é dizer a hora da queda, se houve perda da consciência, se a criança vomitou, se o comportamento mudou e se um adulto está ao lado.
No NHS, um hematoma, um inchaço ou um corte grande na cabeça de uma criança com menos de 1 ano entra na lista de ligar para a emergência. Comportamento mais irritado, distraído ou sem interesse no que está em volta também entra.
A nota não substitui o atendimento?
Não substitui. A escala descreve a resposta. Ela não autoriza esperar em casa e não libera a pessoa a dirigir, voltar ao trabalho ou ao esporte.
O NHS lista situações em que a pancada pede emergência na hora. Traduzidas para o atendimento no Brasil, elas são motivo de SAMU 192:
- foi derrubada e não acordou;
- não consegue ficar acordada ou manter os olhos abertos;
- teve uma crise convulsiva;
- caiu de mais de 1 metro ou de mais de 5 degraus;
- tem problema novo de visão ou de audição;
- apareceu um olho roxo sem ter batido no olho;
- sai líquido claro do ouvido ou do nariz;
- sangra pelo ouvido ou surge roxo atrás da orelha;
- há dormência ou fraqueza nova;
- há dificuldade para andar, equilibrar, entender, falar ou escrever;
- o impacto foi em alta velocidade, como num acidente de trânsito;
- há ferida com algo dentro, ou um afundamento na cabeça.
Se a pessoa vomitou, está tonta, usa remédio que afina o sangue ou bebeu álcool na hora da pancada, o NHS orienta buscar ajuda urgente, sem dirigir até o hospital.
Quando procurar um médico?
Chame o SAMU 192 diante de qualquer item da lista acima. Não ofereça comida, não dê comprimido para dormir e não deixe a pessoa sozinha enquanto o socorro não chega.
Se o serviço de saúde liberou um trauma menor para casa, o NHS diz que um adulto deve ficar junto nas primeiras 24 horas. Cansaço não obriga a pessoa a ficar acordada à força. Sintomas que passam de 2 semanas, ou a dúvida sobre dirigir, trabalhar, estudar ou voltar ao esporte, pedem reavaliação.
A nota de Glasgow, quando existir, deve ser lida pela equipe junto com o restante do exame. Leve o papel se você tiver, e conte o que mudou desde que ele foi preenchido.
Considerações Finais
A Escala de Glasgow soma olhos, fala e movimento. Pela OMS, o teto é 15 e o piso é 3. Em criança, a orientação da OMS é a AVPU. O número ajuda o plantão. Ele não decide o socorro no lugar da família.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.

