Dor e Coluna

Espondilolistese: Sintomas, Graus e Tratamento

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Pessoa em consulta médica para avaliação de desconforto na região lombar

Resposta direta

Espondilolistese é o escorregamento de uma vértebra para a frente em relação à vértebra abaixo. Ela ocorre com mais frequência na região lombar e pode não causar sintomas ou provocar dor lombar, dor irradiada, formigamento e fraqueza quando há comprometimento de nervos. O diagnóstico combina avaliação clínica e exames de imagem. O tratamento costuma começar com medidas conservadoras, enquanto a cirurgia é reservada para casos selecionados.

Receber um laudo com as palavras “listese” ou “anterolistese” pode causar preocupação, principalmente quando o exame foi pedido por causa de dor nas costas. Esses termos precisam ser interpretados junto com os sintomas e o exame clínico, e não de forma isolada.

Eu sou o Doutor Francinaldo Gomes, médico neurocirurgião, especialista em neuromodulação, epilepsia e cannabis medicinal, e neste artigo vou explicar o que é espondilolistese, quais sintomas ela pode causar, o que significam seus graus e quando se avaliam tratamentos conservadores ou cirurgia.

O que é espondilolistese?

Espondilolistese é o escorregamento de uma vértebra para a frente em relação à vértebra que está logo abaixo. De acordo com o MedlinePlus, a região lombar é o local mais comum dessa alteração.

O nome descreve uma mudança de posição entre ossos da coluna, mas não explica sozinho por que ela aconteceu nem se é responsável pela dor. O escorregamento pode estar associado a um defeito em uma parte da vértebra, ao desgaste das estruturas da coluna ou a um trauma. A investigação procura identificar esse contexto e verificar se existe instabilidade ou comprometimento dos nervos.

Algumas pessoas descobrem a alteração em um exame feito por outro motivo. Outras apresentam dor lombar ou sintomas provocados pela redução do espaço disponível para as estruturas nervosas. O MedlinePlus informa que a vértebra deslocada pode comprimir nervos, o que ajuda a explicar a presença de dor irradiada, formigamento ou fraqueza em determinados casos.

A espondilolistese também não deve ser confundida com um desvio lateral da coluna. A escoliose envolve uma curvatura em outro plano e exige uma avaliação própria, embora as duas condições possam aparecer em exames da coluna.

Espondilolistese e hérnia de disco são a mesma coisa?

Não. Na espondilolistese, a alteração central é o escorregamento de uma vértebra sobre a de baixo. Na hérnia de disco, o problema envolve o disco localizado entre as vértebras, cujo conteúdo pode se deslocar e irritar ou comprimir uma raiz nervosa.

O NHS ressalta que espondilolistese não é a mesma condição que o chamado “disco deslocado”. A confusão acontece porque ambas podem causar dor lombar, ciática e alterações de sensibilidade ou força. Sintomas parecidos, porém, não significam que a origem seja igual.

Também há diferença em relação à artrose na coluna. A artrose corresponde ao desgaste das articulações e pode contribuir para mudanças estruturais, inclusive para uma espondilolistese relacionada à degeneração. Ainda assim, “artrose” e “listese” não são termos intercambiáveis: um descreve desgaste articular, enquanto o outro descreve o posicionamento de uma vértebra.

Essa distinção tem efeito prático. O tratamento deve ser dirigido ao que está causando os sintomas, e não apenas à palavra destacada no laudo.

Quais são os sintomas da espondilolistese?

A espondilolistese pode ser assintomática. Quando causa sintomas, a manifestação mais comum é a dor na parte inferior das costas. Segundo o NHS, essa dor pode piorar ao ficar em pé ou caminhar e aliviar ao sentar ou inclinar o corpo para a frente.

Os sintomas possíveis incluem:

  • dor lombar;
  • dor que se espalha para nádega ou perna;
  • formigamento ou dormência;
  • sensação de tensão na parte posterior das coxas;
  • fraqueza na perna quando um nervo está comprometido;
  • dificuldade para permanecer em pé ou caminhar por causa da dor.

A dor irradiada pode ter o padrão da dor no nervo ciático. Ela também pode aparecer quando o escorregamento contribui para a estenose de canal lombar, reduzindo o espaço disponível para nervos. Por isso, o local e o grau vistos na imagem precisam ser correlacionados com o trajeto da dor e com o exame neurológico.

Nem toda dor em alguém com listese vem necessariamente do escorregamento. Músculos, discos, articulações e outras alterações da coluna podem participar do quadro. Essa é uma das razões para evitar decisões baseadas apenas no resultado de uma radiografia ou ressonância.

O que significam os graus da espondilolistese?

Os graus são uma forma de classificar a extensão do escorregamento entre as vértebras. Existem classificações que organizam a espondilolistese em graus I, II, III, IV e, em situações mais avançadas, V. Essa graduação permite que o médico descreva a imagem e acompanhe a alteração ao longo do tempo.

Um número maior representa um escorregamento maior. Em termos qualitativos, quanto maior o deslocamento, maior a chance de o médico discutir cirurgia. Isso não significa, porém, que o grau determine sozinho o tratamento.

Uma espondilolistese grau I não é automaticamente grave, assim como um grau mais alto não substitui a análise individual. Para decidir a conduta, o médico considera:

  • intensidade e duração dos sintomas;
  • limitação para atividades diárias;
  • presença de fraqueza, dormência ou outros sinais neurológicos;
  • resposta ao tratamento inicial;
  • causa e evolução do escorregamento;
  • relação entre o achado de imagem e as queixas da pessoa.

O laudo oferece uma descrição anatômica. A relevância clínica aparece quando essa informação é integrada ao que a pessoa sente e ao que o exame físico demonstra.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com a história clínica. O médico pergunta quando a dor começou, quais posições pioram ou aliviam, se existe irradiação para a perna e se ocorreram formigamento, perda de sensibilidade ou fraqueza. Também investiga trauma e limitações nas atividades cotidianas.

No exame físico, são avaliados postura, mobilidade, força, sensibilidade e reflexos. Testes direcionados ajudam a verificar se uma raiz nervosa pode estar irritada ou comprimida.

Exames de imagem mostram o alinhamento das vértebras e ajudam a caracterizar o escorregamento. A radiografia pode identificar e graduar a listese. Conforme os sintomas e a dúvida clínica, outros exames podem ser usados para observar discos, canal vertebral e nervos com mais detalhe.

Encontrar “listese” ou “anterolistese” no laudo não encerra a investigação. O passo decisivo é determinar se aquele achado explica o quadro, se há comprometimento neurológico e se existe necessidade de acompanhar sua evolução. Uma consulta com neurocirurgião pode ser indicada quando há dor persistente, sintomas neurológicos ou dúvida sobre tratamento cirúrgico.

Como é o tratamento da espondilolistese?

O tratamento inicial costuma ser conservador, segundo o MedlinePlus. A escolha depende da causa, dos sintomas, do exame neurológico e do impacto funcional, e não apenas do grau registrado no exame.

As medidas podem incluir adaptação temporária das atividades que agravam a dor, fisioterapia e medicamentos para controle dos sintomas sob orientação profissional. O NHS inclui entre as opções fisioterapia, analgesia orientada e injeção em casos selecionados.

A fisioterapia pode trabalhar mobilidade, controle do tronco, força e retorno gradual às atividades. Não existe uma lista universal de exercícios adequada a todas as pessoas com espondilolistese. Um movimento tolerado por alguém sem compressão nervosa pode piorar os sintomas de outra pessoa, o que torna importante individualizar carga e progressão.

Isso também vale para academia. O diagnóstico não significa proibição automática, mas dor irradiada, perda de força ou piora consistente com determinado exercício justificam interromper a atividade e buscar orientação. O objetivo é manter função e condicionamento sem insistir em movimentos que agravem o quadro.

Injeções não corrigem o posicionamento da vértebra. Em casos selecionados, podem ser consideradas para aliviar sintomas relacionados à inflamação ou irritação nervosa. A resposta às medidas conservadoras deve ser acompanhada antes de se concluir que elas foram insuficientes.

Quando se avalia cirurgia?

A cirurgia é considerada em casos selecionados, e não como consequência automática do diagnóstico. Ela pode entrar em discussão quando dor e limitação persistem apesar do tratamento conservador ou quando há comprometimento neurológico relevante. A extensão do escorregamento e sua relação com os sintomas também fazem parte da decisão.

De acordo com o NHS, os procedimentos podem envolver fusão das vértebras ou descompressão dos nervos. A descompressão busca criar espaço para estruturas nervosas comprimidas. A fusão busca estabilizar o segmento, unindo vértebras; esse tema é explicado com mais detalhe no artigo sobre artrodese.

Essas técnicas podem ser combinadas, conforme o problema anatômico e os objetivos da operação. A escolha exige ponderar benefício esperado, riscos, recuperação e alternativas. O fato de um exame mostrar um grau mais elevado aumenta a possibilidade de discussão cirúrgica, mas não elimina a necessidade de avaliar sintomas, função e exame neurológico.

Antes de decidir, vale esclarecer qual é a fonte provável da dor, o que a cirurgia pretende corrigir e qual limitação pode permanecer mesmo após o procedimento. Uma indicação bem definida responde a um problema clínico específico, não apenas a uma imagem alterada.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação médica quando a dor lombar persiste, limita a caminhada ou o trabalho, irradia para a perna ou vem acompanhada de formigamento, dormência ou perda de força. Também é indicado levar para avaliação um laudo com listese ou anterolistese quando o resultado não foi explicado no contexto dos sintomas.

Fraqueza que surge ou progride exige atenção mais rápida. Há ainda um conjunto de sinais que pode indicar compressão grave dos nervos da parte inferior da coluna e não deve aguardar consulta agendada.

Mesmo sem esses sinais de emergência, piora contínua, dor incapacitante ou novos sintomas neurológicos justificam reavaliação. Evite iniciar, suspender ou aumentar medicamentos por conta própria e leve os exames anteriores à consulta para permitir comparação.

Considerações Finais

Espondilolistese descreve uma vértebra que escorregou para a frente sobre a de baixo. Ela é diferente de hérnia de disco e artrose, embora essas alterações possam produzir sintomas semelhantes ou coexistir. O grau ajuda a descrever a imagem, mas a decisão de tratamento depende da combinação entre sintomas, função, exame neurológico e evolução.

Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.

Perguntas frequentes

Espondilolistese tem cura?
Não existe uma resposta única. O tratamento busca controlar os sintomas, preservar a função e reduzir a compressão dos nervos quando ela existe. Algumas pessoas melhoram com medidas conservadoras; em casos selecionados, o médico pode avaliar cirurgia.
Quem tem espondilolistese precisa operar?
Não necessariamente. O tratamento inicial costuma ser conservador, e a cirurgia é avaliada quando os sintomas persistem apesar desse cuidado, há comprometimento neurológico ou o escorregamento representa um problema relevante no caso individual.
Quem tem espondilolistese pode fazer academia?
A possibilidade e o tipo de exercício dependem dos sintomas e da avaliação individual. Um médico ou fisioterapeuta pode adaptar carga, amplitude e movimentos para evitar piora da dor ou da irritação dos nervos.
Espondilolistese é coisa de idoso?
Não. O escorregamento pode estar relacionado a um defeito na vértebra, desgaste ou trauma, portanto pode aparecer em diferentes fases da vida. A causa precisa ser analisada no contexto de cada pessoa.
Espondilolistese grau 1 é grave?
O grau descreve a extensão do escorregamento, mas não determina sozinho a gravidade. Sintomas, exame neurológico, evolução e achados de imagem precisam ser avaliados em conjunto.

Fontes

Dr. Francinaldo Gomes, Neurocirurgião

Escrito e revisado por

Dr. Francinaldo Gomes

Neurocirurgião

CRM 6346 PA · RQE 3805 · CRM 103790 SP · RQE 30517

Neurocirurgião especialista em neurocirurgia funcional, com atuação em Belém-PA e São Paulo-SP.