Neurocirurgia
Glioblastoma: o que é e o que o exame mostra
Resposta direta
Segundo o MedlinePlus, o glioblastoma é o tipo mais agressivo de tumor cerebral primário e faz parte dos tumores astrocíticos, dentro dos gliomas. Os sintomas dependem do lugar e do inchaço, e os mais comuns de um tumor cerebral incluem dor de cabeça, crise convulsiva, mudança mental e fraqueza. O tratamento pode reunir cirurgia, radioterapia e quimioterapia, e nem sempre é possível retirar todo o tecido. O NHS informa uma sobrevida de 5 anos para o conjunto dos tumores cerebrais cancerosos, cerca de 17 em cada 100 pessoas, e diz que a previsão é difícil porque há muitos tipos. Esse número não é a sobrevida do glioblastoma.
O nome glioblastoma chega quase sempre depois de uma ressonância ou de uma biópsia. A família quer saber, na mesma conversa, o que a palavra significa e se existe um prazo. As duas respostas não cabem num número só.
Eu sou o Doutor Francinaldo Gomes, médico neurocirurgião, especialista em neuromodulação, epilepsia e cannabis medicinal, e neste artigo vou explicar o que o MedlinePlus e o NHS dizem sobre esse tumor, e o que esta página não promete.
O que é glioblastoma?
O MedlinePlus diz que glioblastomas são o tipo mais agressivo de tumor cerebral primário.
O mesmo texto explica de onde vem o grupo. Gliomas nascem de células da glia ao redor dos neurônios, como astrócitos, oligodendrócitos e células ependimárias. Os tumores astrocíticos incluem astrocitomas, que podem ser não cancerosos, astrocitomas anaplásicos e glioblastomas.
O NHS classifica tumores cerebrais pela velocidade de crescimento e pela chance de voltar depois do tratamento. Grau 1 e 2 são baixo grau. Grau 3 e 4 são alto grau. Gliomas, no texto do NHS, são um tipo de tumor cerebral canceroso que pode ser de baixo grau (grau 2) ou de alto grau (grau 3 ou 4).
Esta página não transforma essa classificação numa nota fixa para todo glioblastoma. O que está escrito na fonte é o lugar dele no grupo e a descrição do MedlinePlus como o tipo primário mais agressivo. O laudo da pessoa é que nomeia o grau daquele tecido.
Glioblastoma é todo tumor cerebral?
Não. O MedlinePlus define tumor cerebral como crescimento de células anormais no tecido do cérebro. Pode ser benigno, sem célula cancerosa, ou maligno, com célula cancerosa que cresce rápido. Pode começar no cérebro, e aí é primário, ou chegar de outro órgão, e aí é metastático.
No adulto, gliomas e meningiomas são os tipos mais comuns, segundo o mesmo texto. Meningioma e schwannoma em geral não são cancerosos, embora o tamanho e o lugar ainda possam causar complicação grave. São nomes diferentes de glioblastoma.
Um tumor que começou menos agressivo pode, às vezes, mudar o comportamento e ficar mais agressivo. Por isso o nome popular "tumor no cérebro" não substitui o laudo.
Quais são os sintomas?
O MedlinePlus diz que alguns tumores não dão sintoma até ficarem grandes, e que outros têm sintoma que cresce devagar. O que a pessoa sente depende do tamanho, do lugar, de até onde espalhou e se há inchaço.
Os sintomas mais comuns nessa página:
- mudança da função mental;
- dor de cabeça;
- crise convulsiva, sobretudo em adultos mais velhos;
- fraqueza numa parte do corpo.
A dor de cabeça de tumor pode ser pior ao despertar e ceder em algumas horas, ocorrer durante o sono, vir com vômito, confusão, visão dupla, fraqueza ou dormência, e piorar com tosse, exercício ou mudança de posição.
O NHS lista, para tumor cerebral em geral, dor de cabeça, crise convulsiva, náusea persistente, vômito e sonolência, mudança mental ou de comportamento, como problema de memória ou de personalidade, fraqueza ou paralisia progressiva de um lado, e problema de visão ou de fala. Pode não haver sintoma no início, ou eles podem levar tempo para aparecer.
Uma crise convulsiva nova no adulto pede avaliação. Durante a crise, proteja a pessoa de se machucar, não coloque nada na boca e chame o SAMU 192 se a crise não cede ou se é a primeira.
Como é o tratamento?
O NHS diz que o tratamento depende do tipo, do lugar, do tamanho, de até onde espalhou, de quão anormais estão as células e da saúde da pessoa. As vias que o texto lista incluem corticoide, remédio para sintoma, cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
Corticoide pode ser usado para reduzir o inchaço ao redor do tumor. Remédio antiepilético entra para crise, e analgésico para dor de cabeça. A cirurgia muitas vezes busca retirar o máximo de tecido anormal com segurança. Nem sempre dá para tirar tudo, e radioterapia ou quimioterapia podem tratar o que ficou.
O MedlinePlus descreve o cuidado feito por uma equipe, com neuro-oncologista, neurocirurgião, oncologista clínico, radioterapeuta e outros profissionais. Tratamento cedo muitas vezes melhora a chance de um desfecho favorável. Essa frase é do texto, e não é uma garantia para um caso.
A cirurgia é frequentemente necessária na maior parte dos tumores primários. Alguns saem por completo. Os que estão fundo ou entram no tecido podem ser reduzidos em vez de retirados. O MedlinePlus compara a invasão a raízes de uma planta no solo. Quando não dá para retirar, a cirurgia ainda pode diminuir a pressão e aliviar sintoma.
Radioterapia é usada em certos tumores. Quimioterapia pode acompanhar cirurgia ou radiação. Terapia-alvo entra em alguns casos. Também há remédio para inchaço e para crise, além de medidas de conforto, fisioterapia e apoio para conviver com a doença. Entrar num estudo clínico é uma conversa com a equipe, não um passo desta página.
Complicações que o MedlinePlus lista incluem herniação do cérebro, perda da capacidade de interagir, perda grave e permanente de função, volta do crescimento, e efeitos do remédio, da quimioterapia e da radiação.
O NHS separa o desfecho dos tumores não cancerosos, em que o tratamento muitas vezes vai bem e uma recuperação plena é possível, do grupo canceroso, em que a volta é mais provável. Glioblastoma está no grupo que o MedlinePlus chama de mais agressivo. Não uso o desfecho dos tumores benignos para falar dele.
Por que não há um prazo único?
O NHS diz que o prognóstico depende da idade, do tipo, do lugar no cérebro, de quão efetivo é o tratamento e da saúde geral. Taxas de sobrevida são difíceis de prever porque tumores cerebrais são incomuns e há muitos tipos. O médico que acompanha é quem pode falar do caso.
O mesmo texto traz um número de grupo: em geral, cerca de 17 em cada 100 pessoas com um tumor cerebral canceroso sobrevivem 5 anos ou mais depois do diagnóstico. Esse número junta muitos tipos. Não é a sobrevida do glioblastoma. Colocar esse 17 no lugar de um laudo específico seria inventar um prazo.
Não há, nesta página, uma promessa de resultado. O objetivo que o MedlinePlus descreve para tumor primário do adulto pode incluir controlar o tumor, aliviar sintoma e melhorar função ou conforto. O que cabe num glioblastoma específico sai da equipe que viu a imagem e o tecido.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação se surgir dor de cabeça nova e persistente, ou outro sintoma da lista. O MedlinePlus pede contato com o profissional ou ida à emergência se começarem crises, ou se de repente houver redução do alerta, mudança da visão ou mudança da fala.
Chame o SAMU 192 se a pessoa não acorda, tem crise que não cede, fica com um lado fraco de uma hora para a outra, ou piora rápido da sonolência. Não dirija nesse estado.
Quem já tem o diagnóstico e nota crise nova, dor de cabeça que muda, ou fraqueza que não estava lá ontem, não espera a consulta distante para avisar a equipe.
Considerações Finais
Glioblastoma, no MedlinePlus, é o tipo mais agressivo de tumor cerebral primário, dentro dos gliomas. Sintoma depende do lugar. A cirurgia nem sempre retira tudo. O 17 em 100 do NHS é do conjunto dos tumores cancerosos, não deste tipo. O prazo de uma pessoa não sai de uma página.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.


