Neurocirurgia

Síncope: O Que É, Causas e Quando Procurar Ajuda

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Pessoa deitada em segurança após um desmaio enquanto recebe ajuda

Resposta direta

Síncope é uma perda breve de consciência causada por uma redução transitória do fluxo de sangue para o cérebro, em geral com recuperação espontânea. Ela pode ocorrer por um reflexo do organismo, por queda da pressão ao se levantar ou por causas que precisam de investigação, inclusive cardíacas. Diante de um desmaio, deite a pessoa e eleve suas pernas; se ela não acordar ou apresentar sinais de alerta, chame o SAMU 192. A avaliação médica é importante quando o episódio se repete, causa trauma ou não tem explicação clara.

Um desmaio pode acontecer de forma rápida e deixar quem presencia sem saber se deve apenas ajudar a pessoa a se deitar ou chamar uma emergência. Embora muitos episódios não sejam graves, alguns sinais exigem atendimento imediato.

Eu sou o Doutor Francinaldo Gomes, médico neurocirurgião, especialista em neuromodulação, epilepsia e cannabis medicinal, e neste artigo vou explicar o que é síncope, como diferenciá-la de convulsão e tontura, o que fazer na hora e quando procurar ajuda médica.

O que é síncope?

Síncope é uma perda breve de consciência causada por uma redução transitória do fluxo de sangue para o cérebro. Segundo o MedlinePlus, a pessoa geralmente acorda sozinha depois do episódio.

Antes de perder a consciência, ela pode perceber fraqueza, calor, suor, náusea, escurecimento da visão ou sensação de que vai cair. Em outras situações, o episódio parece acontecer sem aviso. O modo como começou, o que a pessoa fazia e como se recuperou são informações importantes para a investigação.

Síncope não é uma doença única. É um evento que pode ter diferentes mecanismos, desde uma resposta reflexa até alterações que exigem avaliação cardíaca ou neurológica. Por isso, observar apenas a queda não permite concluir a causa.

Também é diferente de apenas se sentir instável. A tontura pode ocorrer sem perda de consciência, enquanto a labirintite costuma ser associada, no uso cotidiano, a vertigem e desequilíbrio. Se houve apagamento completo, mesmo breve, o relato deve ser tratado como possível síncope até avaliação adequada.

Síncope e desmaio são a mesma coisa?

Na linguagem comum, “desmaio” costuma ser usado como sinônimo de síncope. A definição médica, porém, é mais precisa: envolve perda transitória de consciência por queda momentânea do fluxo de sangue no cérebro, seguida de recuperação espontânea.

Nem toda queda ou aparente perda de contato é necessariamente uma síncope. Uma pessoa pode cair por desequilíbrio, ter uma crise convulsiva, apresentar queda de glicose ou sofrer outro evento que altere sua consciência. Essa distinção nem sempre pode ser feita com segurança por quem presencia a cena.

Para ajudar o médico, registre se havia calor, jejum, dor, emoção, esforço ou mudança de posição antes do episódio. Observe também a duração aparente, a presença de movimentos, a cor da pele, possíveis ferimentos e como foi a recuperação. Não tente provocar respostas dolorosas nem atrasar o socorro para filmar.

Quais são os tipos de síncope?

A síncope pode ser organizada de acordo com o mecanismo provável. A forma vasovagal, também chamada reflexa, é a mais comum na prática clínica. Pode surgir após calor, permanência prolongada em pé, emoção intensa, dor ou visão de sangue, frequentemente com sintomas de aviso.

Há também episódios relacionados à mudança de posição, especialmente ao levantar, quando ocorre queda da pressão arterial. Desidratação e alguns medicamentos podem contribuir, mas somente a avaliação individual permite estabelecer essa relação.

Outra possibilidade é a síncope de origem cardíaca, que precisa ser considerada quando o coração não mantém temporariamente a circulação adequada. Episódios durante esforço, acompanhados de dor no peito ou palpitações, ou sem um gatilho reconhecível merecem atenção médica.

Essas categorias orientam a investigação, mas não funcionam como diagnóstico feito em casa. Um gatilho aparentemente típico não exclui outras causas, e a ausência de aviso não confirma, sozinha, uma origem cardíaca.

Como diferenciar síncope de convulsão?

Síncope e convulsão podem causar queda e perda de consciência, e movimentos breves também podem ocorrer durante um desmaio. Por isso, a presença de abalos isoladamente não confirma uma crise convulsiva.

Na síncope, pode haver sensação de calor, náusea, suor ou escurecimento da visão antes da queda, seguida de retorno relativamente rápido da consciência. Em uma convulsão, quem presencia pode descrever rigidez, movimentos repetidos e uma recuperação com sonolência ou confusão. Essas pistas ajudam, mas nenhuma delas substitui a avaliação do conjunto do episódio.

Anote o que aconteceu antes, durante e depois. Informe se houve alteração de comportamento, movimentos de um lado ou do corpo inteiro, dificuldade para falar, fraqueza, dor no peito ou palpitações. Se o evento não ficou claro, não escolha um rótulo por conta própria e não ofereça medicamentos.

Quando existe suspeita de crise, o médico pode considerar o eletroencefalograma dentro da investigação. Esse exame não é necessário para todo desmaio e deve ser solicitado conforme a história e o exame clínico.

Síncope pode ser neurológica?

A perda de consciência leva muitas pessoas a presumir que o problema começou no cérebro. Na síncope, porém, o mecanismo imediato é a redução transitória do fluxo sanguíneo cerebral, e a causa pode ser reflexa, relacionada à pressão ou cardíaca. Eventos neurológicos também entram no diagnóstico diferencial quando há sinais compatíveis.

Fraqueza em um lado do corpo, alteração da fala, assimetria facial ou déficit que persiste depois do episódio não devem ser atribuídos a um “desmaio simples”. Esses sinais exigem pensar em AVC e buscar atendimento de emergência.

A história clínica e o exame neurológico orientam se há necessidade de avaliação por um neurocirurgião ou outro especialista. Exames de imagem, como os explicados no guia sobre ressonância ou tomografia do crânio, não são escolhidos apenas porque houve perda de consciência; a indicação depende dos achados e da suspeita clínica.

O que fazer quando alguém desmaia?

O NHS orienta deitar a pessoa e elevar suas pernas. Essa posição pode favorecer a recuperação enquanto você observa a respiração e verifica se há sinais de trauma ou emergência.

Siga estes cuidados:

  1. Deite a pessoa de costas em um local seguro. Afaste objetos que possam machucá-la.
  2. Eleve as pernas, se não houver suspeita de trauma. Não force a movimentação se a queda puder ter causado lesão.
  3. Afrouxe roupas apertadas e permita a circulação de ar. Afaste aglomerações ao redor.
  4. Observe a respiração e a recuperação. Se ela não acordar, acione o SAMU 192.
  5. Depois que acordar, mantenha-a deitada por alguns minutos. Ajude-a a se levantar devagar e apenas quando estiver orientada.

Não sacuda a pessoa, não jogue água no rosto e não ofereça líquidos enquanto ela estiver inconsciente. Quando estiver totalmente desperta e conseguir engolir normalmente, água pode ser oferecida. Se ela apenas sentir que vai desmaiar, ajude-a a se deitar antes da queda.

Quais exames investigam a síncope?

A investigação começa pela descrição detalhada do episódio, pelos antecedentes de saúde, pelos medicamentos em uso e pelo exame físico. Medir pressão e frequência cardíaca e avaliar o coração e o sistema neurológico ajudam a direcionar os próximos passos.

Dependendo do caso, o médico pode solicitar eletrocardiograma e outros exames voltados ao ritmo e à estrutura do coração. Exames de sangue podem ser considerados quando a história sugere alterações metabólicas, anemia ou outras condições associadas.

O eletroencefalograma pode fazer parte da avaliação quando há suspeita de convulsão. Ressonância ou tomografia do crânio pode ser indicada diante de trauma, alteração neurológica ou outra suspeita específica. Nenhum desses exames, isoladamente, substitui a história do episódio, e nem todos são necessários para todas as pessoas.

Leve para a consulta informações sobre gatilhos, sintomas prévios, duração, recuperação, traumas e episódios anteriores. Se alguém presenciou o desmaio, o relato dessa pessoa pode esclarecer detalhes que quem perdeu a consciência não consegue lembrar.

Quando procurar um médico?

Procure avaliação quando o desmaio for recorrente, ocorrer sem explicação clara, provocar queda ou ferimento, acontecer durante esforço ou vier acompanhado de palpitações. Também é importante investigar quando existe dúvida entre síncope e convulsão ou quando a recuperação foi diferente do habitual.

Segundo o NHS, a maioria dos desmaios não é grave, mas há situações em que não se deve aguardar. Dor no peito, ausência de recuperação, convulsão, trauma na cabeça e gestação estão entre os motivos para buscar emergência.

Mesmo depois de uma recuperação aparentemente completa, não ignore episódios repetidos nem suspenda medicamentos por conta própria. A avaliação busca identificar o mecanismo provável, reduzir novas quedas e definir se existe necessidade de acompanhamento específico.

Considerações Finais

Síncope é uma perda breve de consciência que costuma terminar com recuperação espontânea, mas o contexto define o grau de preocupação. Deitar a pessoa, elevar suas pernas quando for seguro e reconhecer os sinais de emergência são as medidas mais úteis no momento do episódio.

Este conteúdo é educativo e não substitui consulta médica.

Perguntas frequentes

Tem cura a síncope?
Não existe uma resposta única, porque síncope é um episódio, não uma causa específica. O cuidado busca identificar e tratar o fator responsável, reduzir recorrências e prevenir quedas, sem prometer cura antes da investigação.
Síncope pode ser causada pelo coração?
Pode. Alterações cardíacas estão entre as possibilidades que o médico considera, sobretudo quando o desmaio ocorre durante esforço, vem com dor no peito ou palpitações, ou não apresenta um gatilho claro. Esses sinais justificam avaliação sem adiar.
Síncope pode ser confundida com convulsão?
Pode, porque ambos os episódios podem envolver queda, perda de consciência e até movimentos breves. O que ocorreu antes, durante e depois ajuda na diferenciação, mas a confirmação depende de avaliação médica.
O que fazer na hora de um desmaio?
Deite a pessoa de costas, eleve suas pernas se isso for seguro, afrouxe roupas apertadas e mantenha o ambiente ventilado. Não ofereça água enquanto ela estiver inconsciente e não a levante rapidamente após acordar.
Quando chamar o SAMU após um desmaio?
Chame o SAMU 192 se a pessoa não acordar, tiver dor no peito, falta de ar, convulsão, trauma na cabeça, alteração de fala ou força, ou se estiver grávida. Informe o local, o que aconteceu e como ela está respirando.

Fontes

Dr. Francinaldo Gomes, Neurocirurgião

Escrito e revisado por

Dr. Francinaldo Gomes

Neurocirurgião

CRM 6346 PA · RQE 3805 · CRM 103790 SP · RQE 30517

Neurocirurgião especialista em neurocirurgia funcional, com atuação em Belém-PA e São Paulo-SP.