Saúde e Orientações
Apneia do Sono: Sintomas, Riscos e Tratamento
Resposta direta
A apneia do sono é uma condição em que a respiração para repetidamente durante o sono, geralmente por obstrução das vias aéreas superiores, reduzindo a oxigenação do sangue e do cérebro. Os sinais centrais são ronco alto, pausas respiratórias observadas por quem dorme próximo, sono não reparador e sonolência excessiva durante o dia. O diagnóstico é feito pela polissonografia, e o tratamento pode incluir mudanças de hábitos, uso de CPAP e, em casos selecionados, avaliação cirúrgica. A apneia não tratada está associada a maior risco cardiovascular e cerebrovascular, incluindo AVC, além de prejuízo de memória e atenção — por isso, ronco com pausas respiratórias e sonolência diurna importante merecem avaliação médica.
Eu sou o Doutor Francinaldo Gomes, médico neurocirurgião, especialista em neuromodulação, epilepsia e cannabis medicinal e neste artigo nós vamos falar sobre a apneia do sono.
Você vai entender o que é a apneia do sono, quais são os sintomas da apneia do sono, como o ronco e as pausas respiratórias se relacionam com o problema, por que a apneia não tratada é um fator de risco cerebrovascular, como é feito o diagnóstico com a polissonografia e quais são as opções de tratamento, incluindo o CPAP.
O que é a apneia do sono?
A apneia do sono é uma condição em que a respiração é interrompida de forma repetida durante o sono, muitas vezes dezenas de vezes por noite.
O tipo mais comum é a apneia obstrutiva do sono, em que os músculos da garganta relaxam e as vias aéreas superiores se estreitam ou fecham parcialmente, bloqueando a passagem de ar mesmo com o esforço respiratório mantido.
Existe também a apneia central, mais rara, em que o cérebro deixa de enviar o sinal adequado para os músculos da respiração, mas o presente artigo trata principalmente da forma obstrutiva, que é a mais frequente na população adulta.
Cada pausa respiratória reduz temporariamente a oxigenação do sangue, o que impõe um esforço extra ao coração e ao cérebro e fragmenta a qualidade do sono, mesmo quando a pessoa não percebe que acordou.
Quais são os sintomas da apneia do sono?
O sintoma mais notado pela família costuma ser o ronco alto e irregular, intercalado por momentos de silêncio seguidos de um engasgo ou suspiro audível — isso corresponde justamente às pausas respiratórias.
Outros sintomas frequentes incluem:
- Sono não reparador, mesmo depois de dormir o número de horas considerado adequado.
- Sonolência excessiva durante o dia, com dificuldade para manter a atenção em atividades rotineiras.
- Dor de cabeça ao acordar.
- Boca seca ou dor de garganta ao despertar.
- Irritabilidade e alterações de humor.
- Dificuldade de concentração e falhas de memória.
- Necessidade de urinar várias vezes durante a noite.
Se você também sente dor de cabeça frequente pela manhã, pode ser útil ler também sobre dor de cabeça constante, que às vezes acompanha distúrbios do sono.
O ronco sempre significa apneia do sono?
Não. Nem todo ronco indica apneia do sono, mas o ronco é um dos sinais mais comuns associados a ela.
O que diferencia um ronco "simples" de um ronco relacionado à apneia é a presença de pausas respiratórias observadas, engasgos noturnos, sonolência diurna importante e sono que não recupera a disposição da pessoa.
Quem dorme ao lado do paciente costuma ser o primeiro a perceber esse padrão, já que a própria pessoa geralmente não tem consciência das pausas respiratórias.
Quais são os sinais que a família costuma perceber?
A família e o parceiro de quarto frequentemente notam o quadro antes do próprio paciente, e esses relatos são muito importantes para o diagnóstico.
Os sinais mais relatados por quem observa o sono do paciente são:
- Pausas na respiração que duram alguns segundos, seguidas de um ronco alto ou engasgo.
- Respiração ofegante durante o sono.
- Agitação, mudanças frequentes de posição ou sono inquieto.
- Sonolência da pessoa durante o dia, inclusive em situações inadequadas, como dirigir ou em reuniões.
- Mudança perceptível de humor, memória ou desempenho no trabalho.
Se você notar esses sinais em alguém da família, vale considerar uma avaliação médica, especialmente se também houver esquecimento frequente ou queixas de memória.
Por que a apneia do sono aumenta o risco de AVC?
A apneia do sono não tratada está associada a maior risco cerebrovascular porque as quedas repetidas de oxigênio no sangue, ao longo de muitas noites, sobrecarregam o sistema cardiovascular e favorecem hipertensão arterial, arritmias e inflamação dos vasos sanguíneos.
Esses fatores, somados, aumentam o risco de formação de coágulos e de eventos vasculares no cérebro, incluindo o AVC (acidente vascular cerebral).
Também existe uma relação nos dois sentidos: pessoas que já tiveram um AVC apresentam maior chance de desenvolver apneia do sono, e a apneia não tratada pode dificultar a recuperação neurológica após o evento.
Por isso é essencial saber reconhecer os sinais de urgência. Veja o guia completo sobre sintomas de AVC para identificar sinais de alarme que exigem atendimento médico imediato.
A apneia do sono pode afetar a memória e a atenção?
Sim. A fragmentação repetida do sono e as quedas de oxigenação afetam regiões do cérebro relacionadas à memória e à concentração.
Pacientes com apneia do sono não tratada frequentemente relatam dificuldade para se concentrar, esquecimento no dia a dia, lentidão de raciocínio e queda de rendimento no trabalho ou nos estudos.
Esse prejuízo cognitivo tende a melhorar, ao menos parcialmente, quando a apneia é tratada de forma adequada, embora a resposta varie de pessoa para pessoa.
Se o esquecimento é uma queixa recorrente na sua rotina ou na de alguém próximo, veja também o conteúdo sobre esquecimento para entender melhor quando esse sintoma merece avaliação, e sobre alzheimer, já que o sono de má qualidade é discutido como um dos fatores que podem influenciar a saúde cognitiva ao longo do tempo.
Quais são os fatores de risco para a apneia do sono?
Vários fatores aumentam a chance de desenvolver apneia obstrutiva do sono, entre eles:
- Excesso de peso e circunferência do pescoço aumentada.
- Idade mais avançada.
- Sexo masculino, embora a apneia também seja comum em mulheres, principalmente após a menopausa.
- Anatomia das vias aéreas, como amígdalas aumentadas ou alterações na estrutura da face e mandíbula.
- Histórico familiar de apneia do sono.
- Uso de álcool, sedativos ou tabagismo.
- Congestão nasal crônica.
Ter um ou mais desses fatores não significa necessariamente que a pessoa tem apneia, mas aumenta a probabilidade e reforça a importância de ficar atento aos sintomas.
Como é feito o diagnóstico da apneia do sono?
O diagnóstico da apneia do sono é feito principalmente pela polissonografia, um exame que registra, durante uma noite de sono, dados como o padrão respiratório, os níveis de oxigênio no sangue, os movimentos corporais, a atividade cerebral e a frequência cardíaca.
A polissonografia pode ser realizada em laboratório do sono ou, em alguns casos selecionados, por meio de exames simplificados feitos em casa, conforme orientação médica.
Além da polissonografia, a avaliação clínica é fundamental: o médico investiga o histórico de sintomas, os relatos de quem dorme com o paciente e a presença de fatores de risco, para então classificar a gravidade da apneia e definir a conduta.
Como é feito o tratamento da apneia do sono?
O tratamento da apneia do sono depende da gravidade do quadro, da causa identificada e das características de cada paciente, e costuma envolver mais de uma frente ao mesmo tempo.
Mudanças de hábitos
Perda de peso quando há excesso de peso, redução do consumo de álcool e sedativos antes de dormir, tratamento da congestão nasal e ajuste da posição de dormir podem reduzir a intensidade dos episódios em casos leves.
CPAP
O CPAP (do inglês continuous positive airway pressure) é o tratamento de primeira linha para a maioria dos casos moderados e graves. É um aparelho que mantém um fluxo contínuo de ar sob pressão através de uma máscara, evitando o fechamento das vias aéreas durante o sono.
O uso do CPAP deve ser sempre orientado e acompanhado por um médico, que ajusta a pressão e verifica a adaptação do paciente ao aparelho.
Outras opções
Em casos selecionados, aparelhos intraorais para reposicionamento da mandíbula ou avaliação cirúrgica das vias aéreas podem ser considerados, sempre a partir de uma avaliação individualizada e sob acompanhamento médico especializado.
Não existe um tratamento único correto para todos os pacientes — a escolha depende da gravidade da apneia, da causa e da resposta de cada pessoa às diferentes abordagens.
A apneia do sono está relacionada a outros sintomas neurológicos?
Sim, a apneia do sono pode se relacionar a outros sintomas neurológicos, direta ou indiretamente.
Além do impacto na memória e na atenção, alguns pacientes relatam tontura ao acordar, associada à má qualidade do sono e às oscilações de pressão arterial que a apneia pode causar. Veja mais sobre tontura e suas possíveis causas.
Também existe sobreposição, em alguns pacientes, entre distúrbios respiratórios do sono e fenômenos como a paralisia do sono, já que ambos envolvem alterações na arquitetura e na qualidade do sono, embora sejam condições distintas.
Quando procurar um médico?
Procure avaliação médica se você ou alguém da sua família observar:
- Ronco alto e frequente, especialmente com pausas respiratórias percebidas por quem dorme próximo.
- Sonolência excessiva durante o dia, a ponto de atrapalhar atividades como dirigir, trabalhar ou estudar.
- Sono que não é reparador mesmo dormindo um número de horas considerado adequado.
- Dores de cabeça matinais frequentes.
- Dificuldade de concentração ou memória que vem piorando.
Procure atendimento médico imediato se surgirem sinais de urgência neurológica, como fraqueza súbita em um lado do corpo, dificuldade repentina para falar, alteração súbita da visão ou confusão mental de início abrupto — esses são sinais compatíveis com AVC e não devem esperar. Veja a lista completa em sintomas de AVC.
Considerações Finais
A apneia do sono é uma condição comum, muitas vezes subdiagnosticada, que vai além do incômodo do ronco: ela está ligada a maior risco cardiovascular e cerebrovascular e pode afetar a memória e a atenção ao longo do tempo.
Reconhecer os sinais — ronco com pausas respiratórias, sono não reparador e sonolência diurna — é o primeiro passo. O diagnóstico correto, feito por meio da polissonografia, e o tratamento adequado, que pode incluir o CPAP, ajudam a reduzir esses riscos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Se você reconhece esses sinais em si ou em alguém da sua família, uma avaliação com um neurologista ou neurocirurgião pode ajudar a esclarecer o diagnóstico e orientar o tratamento mais adequado para o seu caso.

