Doenças Neurológicas
Cisto aracnóide: quando observar e quando operar
Resposta direta
Segundo o NINDS, cistos aracnóides são os cistos cerebrais mais comuns. Não são tumores. São bolsas de líquor que se formam quando a membrana aracnoide se divide. A maioria não causa sintoma. O lugar e o tamanho decidem se e quando o sintoma aparece. Só uma parte precisa de tratamento. Cisto pequeno, que não empurra o tecido e não causa sintoma, pode ser apenas acompanhado. Homens e meninos têm quatro vezes mais chance do que mulheres e meninas.
Muita gente descobre um cisto aracnóide num exame feito por outro motivo. O laudo assusta porque a palavra cisto, no cérebro, parece tumor. Na maior parte das vezes não é, e nem toda bolsa vista na imagem pede cirurgia.
Eu sou o Doutor Francinaldo Gomes, médico neurocirurgião, especialista em neuromodulação, epilepsia e cannabis medicinal, e neste artigo vou explicar o que o NINDS descreve sobre esse cisto, quando observar e quando a conversa muda para tratamento.
O que é um cisto aracnóide?
O NINDS diz que cistos aracnóides são os cistos cerebrais mais comuns. Não são tumores. São bolsas cheias de líquor, o líquido que reveste e protege o cérebro e a medula.
Eles se formam quando a aracnoide, uma das três membranas que cobrem o cérebro e a medula, se divide. O líquido se junta ali e forma a bolsa. A maioria não causa sintoma.
O lugar e o tamanho decidem se e quando a pessoa terá sintoma. Em geral ficam na fossa craniana média, na base do crânio, perto do lobo temporal. Com menos frequência, formam-se perto da medula.
Cisto aracnóide é tumor?
Não. O NINDS faz essa separação na primeira definição. Tumor cerebral é crescimento de células anormais. O cisto aracnóide é líquido dentro de uma membrana que se abriu.
A tomografia ou a ressonância do cérebro ou da medula é o exame que o NINDS cita para o diagnóstico, e ela ajuda a distinguir esse cisto de outros. Como muitos não dão sintoma, muita gente só fica sabendo durante a investigação de outro problema que pediu imagem. O texto sobre ressonância ou tomografia do crânio ajuda a entender por que os dois exames não são intercambiáveis. A escolha continua sendo de quem pediu o exame.
De onde vem o cisto?
A maioria está presente ao nascimento. O NINDS chama esses de cistos primários. Eles acontecem por um desenvolvimento diferente do cérebro ou da medula nas primeiras semanas da gestação.
Outros aparecem mais tarde, depois de um trauma na cabeça, uma infecção, um tumor ou uma cirurgia. Esses são os secundários.
A causa não está completamente entendida. Homens e meninos têm quatro vezes mais chance de ter o cisto do que mulheres e meninas. Algumas condições, como a síndrome de Aicardi, aumentam a chance. Em casos raros, uma variante no DNA também aumenta.
Quem nasce com o cisto e vai ter sintoma tende a ter cedo. Crianças muitas vezes manifestam no primeiro ano, e a maior parte das pessoas que vão ter sintoma o tem antes dos 20 anos. Essa frase do NINDS não diz que todo cisto de criança vai doer. Diz quando o sintoma costuma aparecer, se for aparecer.
Quais são os sintomas?
A maioria das pessoas não tem sintoma. Quando o cisto comprime o cérebro ou a medula, pode causar.
No cérebro, o NINDS lista como mais comuns:
- dor de cabeça;
- náusea e vômito;
- crise convulsiva;
- problema de audição e de visão;
- vertigem;
- problema de equilíbrio e de marcha.
Na medula, o cisto pode aproximar partes da medula ou raízes nervosas. Isso pode causar dor nas costas e na perna, e formigamento ou dormência nas pernas ou nos braços.
Uma crise convulsiva nova não se explica sozinha pelo cisto antigo sem avaliação. Proteja a pessoa, não coloque nada na boca e chame o SAMU 192 se for a primeira crise ou se ela não ceder.
Todo cisto precisa de cirurgia?
Não. O NINDS diz que só alguns cistos precisam de tratamento. Cisto pequeno, que não incomoda o tecido em volta e não causa sintoma, pode não precisar. A recomendação é acompanhar ao longo do tempo, para ver se cresce ou se começa a dar sintoma. Às vezes o cisto machuca o cérebro ou a medula se aumenta.
Quando há tratamento, o NINDS diz que em geral os sintomas somem ou melhoram. Essa frase descreve o habitual da fonte. Não é uma garantia para cada pessoa.
As vias que o texto descreve:
- drenar o líquido ou retirar o cisto;
- abrir o cisto para o líquido sair, a fenestração. Depois, o corpo absorve o líquido que saiu;
- em casos raros, uma válvula que drena o líquido para outra parte do corpo;
- num cisto grave, cirurgia mais extensa para retirar as paredes;
- em casos raros, o cisto volta depois da cirurgia.
Um trauma perto do cisto pode fazê-lo crescer ou sangrar para dentro. Por isso um achado antigo, que estava quieto, muda de conversa depois de uma pancada.
Quando procurar um médico?
Leve o exame a uma avaliação se o laudo acabou de citar o cisto, mesmo sem dor. O acompanhamento existe justamente porque uma parte cresce.
Procure de novo, sem esperar o retorno distante, se surgir dor de cabeça nova, vômito, crise, piora da visão ou da audição, vertigem, ou dificuldade para andar.
Chame o SAMU 192 se, depois de uma pancada perto de um cisto conhecido, a dor de cabeça for súbita e forte, a pessoa vomitar, não acordar ou tiver uma crise. O NINDS relaciona esse trauma a crescimento ou a sangramento para dentro do cisto. Não dirija.
Dormência nova nas pernas, dor nas costas que desce, ou fraqueza, num cisto perto da medula, também pedem avaliação presencial, não um novo exame marcado para daqui a meses por conta própria.
Considerações Finais
Cisto aracnóide é bolsa de líquor, não tumor. A maioria não dói. Homens e meninos têm quatro vezes mais chance, segundo o NINDS. Cirurgia não é automática. Observar o cisto quieto é uma conduta. Pancada perto dele, crise ou vômito mudam a pressa.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica.

