Dor e Coluna

Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB): Sintomas e Tratamento

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Vertigem Posicional Paroxística Benigna: sintomas, diagnóstico e tratamento.

Resposta direta

A vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) é a causa mais frequente de tontura súbita, provocada pelo deslocamento de pequenos cristais do ouvido interno (otólitos) que se soltam de seu local normal e passam a estimular os canais responsáveis pelo equilíbrio. A crise típica dura poucos segundos, é desencadeada por mudanças de posição da cabeça, como virar na cama, olhar para cima ou se abaixar, e não costuma vir acompanhada de zumbido ou perda de audição, o que a diferencia da labirintite. O diagnóstico é clínico, feito por meio de manobras específicas realizadas por profissional treinado, e o tratamento também é feito com manobras de reposicionamento dos cristais. Vertigem acompanhada de fala arrastada, fraqueza, visão dupla ou dor de cabeça súbita e intensa é sinal de alerta e exige atendimento médico imediato.

Eu sou o Doutor Francinaldo Gomes, médico neurocirurgião, especialista em neuromodulação, epilepsia e cannabis medicinal e neste artigo nós vamos falar sobre a vertigem posicional paroxística benigna, também conhecida pela sigla VPPB.

Você vai entender o que é a VPPB, por que ela causa aquela sensação de tontura ao virar na cama, o que são os chamados "cristais do ouvido", como ela se diferencia da labirintite e de outras causas de tontura, e como é feito o diagnóstico e o tratamento.

O que é a vertigem posicional paroxística benigna?

A vertigem posicional paroxística benigna é uma alteração do ouvido interno que provoca crises breves de vertigem sempre que a cabeça muda de posição.

O nome descreve bem a condição: posicional, porque é desencadeada por posição da cabeça; paroxística, porque as crises são súbitas e de curta duração; e benigna, porque não representa risco à vida e, na maioria dos casos, responde bem ao tratamento.

Ela é considerada a causa mais comum de vertigem entre todas as doenças do equilíbrio, podendo acometer pessoas de qualquer idade, embora seja mais frequente a partir da meia-idade.

Por que a VPPB acontece?

A VPPB acontece por causa do deslocamento de pequenos cristais de carbonato de cálcio, chamados de otólitos, que normalmente ficam fixados em uma estrutura do ouvido interno chamada utrículo.

Quando esses cristais se soltam de seu local de origem, eles podem migrar para dentro dos canais semicirculares, que são as estruturas responsáveis por detectar o movimento da cabeça.

Com os cristais soltos dentro desses canais, qualquer mudança de posição da cabeça faz com que eles se movimentem e estimulem de forma equivocada os receptores do equilíbrio, gerando a sensação de vertigem.

Em muitos casos não é possível identificar uma causa específica para o deslocamento dos cristais, mas ela pode estar associada a traumatismo na cabeça, longos períodos de repouso no leito, envelhecimento natural do ouvido interno e, mais raramente, a outras doenças do labirinto.

Quais são os sintomas da VPPB?

O sintoma principal da VPPB é uma crise de vertigem, ou seja, a sensação de que o ambiente está girando, que dura tipicamente poucos segundos, quase sempre menos de um minuto.

Essa crise é desencadeada por uma mudança específica de posição da cabeça, como:

  • Virar na cama de um lado para o outro.
  • Deitar-se ou levantar-se da cama.
  • Inclinar a cabeça para trás, por exemplo para olhar para cima em uma prateleira.
  • Abaixar-se para pegar algo no chão.

Durante a crise também pode ocorrer nistagmo, que é um movimento involuntário e rápido dos olhos, além de náusea associada à intensidade da vertigem.

Fora do momento do movimento que desencadeia a crise, a pessoa costuma ficar sem sintomas ou com uma sensação leve e inespecífica de desequilíbrio.

VPPB e labirintite são a mesma coisa?

Não. A VPPB e a labirintite são condições diferentes, embora as duas causem tontura e sejam frequentemente confundidas pelos pacientes.

Na VPPB, as crises são muito curtas, duram segundos, estão sempre ligadas a uma mudança de posição da cabeça e não costuma haver zumbido ou perda de audição.

Já na labirintite, que geralmente decorre de um processo inflamatório ou infeccioso do labirinto, a vertigem tende a ser mais prolongada, podendo durar horas ou dias, nem sempre depende de mudança de posição para começar, e pode vir acompanhada de zumbido, sensação de ouvido cheio ou perda auditiva.

Por isso a diferenciação entre as duas é importante: elas têm mecanismos e tratamentos distintos, e o diagnóstico correto depende de avaliação médica.

Toda tontura ao virar na cama é VPPB?

Não necessariamente. A tontura desencadeada por mudança de posição da cabeça é bastante sugestiva de VPPB, mas outras condições também podem se manifestar de forma parecida, incluindo alterações de pressão arterial, uso de determinados medicamentos e, mais raramente, causas neurológicas centrais.

Por esse motivo, mesmo quando o padrão do sintoma parece típico, a confirmação do diagnóstico deve ser feita por um médico, e não por autodiagnóstico.

Como é feito o diagnóstico da VPPB?

O diagnóstico da VPPB é essencialmente clínico, feito por meio de manobras específicas realizadas por um profissional treinado, que reproduzem a mudança de posição da cabeça que desencadeia a crise enquanto observa o movimento dos olhos do paciente.

A mais utilizada é a manobra de Dix-Hallpike, que ajuda a identificar qual canal semicircular está afetado pelos cristais deslocados.

Exames de imagem, como ressonância ou tomografia do crânio, não são necessários para confirmar a VPPB isoladamente, mas podem ser solicitados quando o quadro apresenta características atípicas ou sinais que levantem suspeita de outra causa para a tontura.

Como é feito o tratamento da VPPB?

O tratamento da VPPB é feito por meio de manobras de reposicionamento dos otólitos, sendo a manobra de Epley uma das mais conhecidas e utilizadas.

Essas manobras consistem em uma sequência de movimentos guiados da cabeça e do corpo do paciente, que tem como objetivo conduzir os cristais deslocados de volta para o local onde eles normalmente ficam armazenados dentro do ouvido interno.

É importante deixar claro que essas manobras devem ser realizadas por um profissional de saúde treinado, como médico ou fisioterapeuta especializado em reabilitação vestibular, e não executadas pelo próprio paciente em casa sem orientação, já que a técnica correta depende da identificação prévia de qual canal está comprometido.

Em alguns casos, medicamentos para controle da náusea podem ser usados de forma pontual durante a fase aguda das crises, sempre sob prescrição e acompanhamento médico. Esses medicamentos não tratam a causa da VPPB, apenas aliviam sintomas associados.

A resposta ao tratamento varia de pessoa para pessoa, e algumas crises podem recorrer ao longo do tempo, exigindo reavaliação médica.

A VPPB pode voltar depois do tratamento?

Sim, é possível que a VPPB recorra mesmo depois de um tratamento bem-sucedido, já que novos cristais podem se soltar ao longo do tempo.

Quando isso acontece, geralmente é possível repetir a manobra de reposicionamento com um profissional treinado. Casos com recorrências frequentes podem exigir uma investigação mais aprofundada para descartar outras causas associadas.

Quem tem mais risco de desenvolver VPPB?

A VPPB pode acometer qualquer pessoa, mas alguns grupos apresentam maior frequência da condição.

Ela é mais comum em pessoas de meia-idade e idosos, já que o envelhecimento natural das estruturas do ouvido interno favorece o deslocamento dos cristais.

Também há maior chance de desenvolver VPPB após traumatismos na cabeça, mesmo que leves, após cirurgias que exigem repouso prolongado no leito, e em pessoas que já tiveram episódios anteriores da doença, já que a recorrência é relativamente comum.

Mulheres tendem a ser mais afetadas do que homens, embora a condição também seja frequente na população masculina. Em boa parte dos casos, no entanto, não é possível identificar um fator desencadeante específico, o que é chamado de VPPB idiopática.

VPPB e causas centrais de tontura: como diferenciar?

A tontura pode ter origem periférica, quando o problema está no ouvido interno, como acontece na VPPB e na labirintite, ou origem central, quando está relacionada a alterações no cérebro ou no tronco encefálico.

As causas centrais de tontura tendem a se apresentar de forma diferente da VPPB: costumam durar mais tempo, nem sempre dependem de mudança de posição da cabeça para surgir, e frequentemente vêm acompanhadas de outros sinais neurológicos, como alteração de fala, fraqueza em um lado do corpo, alteração de sensibilidade, visão dupla ou dificuldade de coordenação.

Por isso, durante a avaliação médica, é fundamental investigar não apenas as características da tontura em si, mas também a presença de sintomas associados, já que isso ajuda a distinguir uma condição benigna, como a VPPB, de quadros que exigem investigação neurológica mais aprofundada, incluindo doenças como a esclerose múltipla em casos mais raros de tontura persistente com outros sinais neurológicos.

Quando procurar um médico?

Embora a VPPB seja considerada benigna, a tontura também pode ser sinal de condições neurológicas mais sérias, e é fundamental saber diferenciar o que exige avaliação de rotina do que é uma emergência.

Procure atendimento médico de urgência imediatamente se a vertigem ou tontura vier acompanhada de:

  • Fala arrastada ou dificuldade para se expressar.
  • Fraqueza ou formigamento em um dos lados do corpo, incluindo formigamento no corpo.
  • Visão dupla ou outras alterações visuais súbitas.
  • Dor de cabeça súbita, intensa e diferente do padrão habitual.
  • Perda de consciência, confusão mental ou dificuldade para caminhar de forma desproporcional à tontura.

Esses sinais podem indicar um quadro neurológico central, como um AVC, e não devem ser confundidos com uma crise comum de VPPB.

Também é recomendável buscar avaliação médica, ainda que não seja uma emergência, quando a tontura é frequente, atrapalha as atividades do dia a dia, vem acompanhada de zumbido ou perda de audição, ou quando não há certeza sobre a causa dos sintomas.

Considerações finais

A vertigem posicional paroxística benigna é uma causa comum e, na maioria dos casos, tratável de tontura, caracterizada por crises breves desencadeadas por mudanças de posição da cabeça. Ainda assim, o diagnóstico correto depende de avaliação clínica, já que outras condições, incluindo causas neurológicas, podem se manifestar com sintomas parecidos.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma consulta médica. Se você apresenta episódios de tontura ao virar na cama ou ao mudar a posição da cabeça, procure um neurologista ou neurocirurgião para uma avaliação individualizada.

Dr. Francinaldo Gomes, Neurocirurgião

Escrito e revisado por

Dr. Francinaldo Gomes

Neurocirurgião

CRM 6346 PA · RQE 3805 · CRM 103790 SP · RQE 30517

Neurocirurgião especialista em neurocirurgia funcional, com atuação em Belém-PA e São Paulo-SP.