Dor e Coluna

Cefaleia em Salvas: Sintomas, Crises e Tratamento

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Cefaleia em salvas: dor intensa ao redor de um dos olhos durante crise noturna.

Resposta direta

A cefaleia em salvas é uma dor de cabeça primária que causa dor extremamente intensa, unilateral, concentrada ao redor de um dos olhos ou na têmpora, com crises curtas e repetidas que costumam acordar a pessoa à noite. Ela é acompanhada de sinais no mesmo lado da dor, como olho vermelho, lacrimejamento, nariz entupido ou escorrendo, e às vezes pálpebra caída. As crises ocorrem em períodos chamados salvas, que duram semanas a meses, seguidos de meses sem dor. O diagnóstico é clínico e feito por médico neurologista ou neurocirurgião, que também orienta o tratamento para reduzir a frequência e a intensidade das crises. Dor de início súbito, muito diferente do padrão habitual, ou acompanhada de alteração da consciência exige avaliação médica imediata.

Eu sou o Doutor Francinaldo Gomes, médico neurocirurgião, especialista em neuromodulação, epilepsia e cannabis medicinal e neste artigo nós vamos falar sobre a cefaleia em salvas.

Você vai entender o que é a cefaleia em salvas, também chamada de dor de cabeça em salvas ou cluster headache, quais são os sintomas típicos, por que as crises costumam acontecer à noite, o que caracteriza a dor ao redor do olho e como esse quadro se diferencia da enxaqueca e da neuralgia do trigêmeo.

O que é a cefaleia em salvas?

A cefaleia em salvas é um tipo de dor de cabeça primária, ou seja, que não decorre de outra doença identificável, marcada por crises de dor muito intensa que se repetem em períodos concentrados no tempo.

Esses períodos são chamados de salvas, e é dessa característica que vem o nome da doença: as crises se agrupam em surtos que podem durar semanas ou poucos meses, seguidos por intervalos sem nenhuma dor, que podem durar meses ou até anos.

Ela faz parte de um grupo de doenças chamado cefaleias trigêmino-autonômicas, porque a dor está associada à ativação de um nervo da face, o nervo trigêmeo, e de reflexos do sistema nervoso autônomo, o que explica os sintomas nos olhos e no nariz que acompanham a crise.

É uma condição rara quando comparada à enxaqueca, mas costuma ser descrita pelos pacientes como uma das dores mais intensas que existem.

Quais são os sintomas da cefaleia em salvas?

O sintoma central é uma dor muito intensa, unilateral, ou seja, de um único lado, geralmente concentrada ao redor de um dos olhos, atrás dele ou na têmpora.

A dor costuma ter início rápido, atingindo grande intensidade em poucos minutos, e é descrita com frequência como em queimação ou perfurante.

Durante a crise, do mesmo lado da dor, podem aparecer sinais autonômicos, como:

  • Olho vermelho e lacrimejamento.
  • Nariz entupido ou escorrendo apenas de um lado.
  • Pálpebra caída (ptose) ou inchaço ao redor do olho.
  • Sudorese na testa ou no rosto do lado afetado.
  • Sensação de inquietação: diferente de outras dores de cabeça, muitas pessoas em crise não conseguem ficar paradas e caminham de um lado para o outro.

Cada crise costuma durar entre 15 minutos e 3 horas, podendo se repetir várias vezes no mesmo dia durante o período de salva.

Por que as crises costumam ser noturnas?

Uma característica marcante da cefaleia em salvas é a tendência de as crises acontecerem em horários regulares, muitas vezes despertando a pessoa do sono, com frequência poucas horas depois de adormecer.

Esse padrão está relacionado ao envolvimento de uma região do cérebro chamada hipotálamo, que participa do controle do ciclo de sono e vigília, e ajuda a explicar por que as crises costumam seguir um horário quase previsível ao longo dos dias de salva.

Por isso, dor de cabeça que acorda a pessoa de forma recorrente durante um determinado período merece avaliação, especialmente quando associada aos sinais ao redor do olho descritos acima. Se você tem dor de cabeça frequente e ainda não sabe identificar o padrão, veja também o guia completo sobre dor de cabeça constante, com os principais tipos e sinais de alerta.

Qual a diferença entre cefaleia em salvas e enxaqueca?

A principal diferença está na intensidade, na duração e no padrão das crises. A enxaqueca costuma causar dor latejante, moderada a forte, que dura de horas a poucos dias, associada a náusea, sensibilidade à luz e ao som.

Já a cefaleia em salvas causa dor muito mais intensa e de início rápido, com duração muito mais curta por episódio, e o alívio entre uma crise e outra costuma ser completo, ao contrário de crises de enxaqueca mais prolongadas.

Outro ponto de diferenciação são os sinais autonômicos: na cefaleia em salvas, olho vermelho, lacrimejamento e nariz entupido do mesmo lado da dor são típicos e ocorrem durante a crise; na enxaqueca esses sinais costumam ser discretos ou ausentes, e predominam náusea, fotofobia e sonofobia.

Também difere o comportamento do paciente durante a crise: na cefaleia em salvas a pessoa costuma ficar agitada e andar de um lado para o outro, enquanto na enxaqueca a tendência é buscar repouso em ambiente escuro e silencioso.

Qual a diferença entre cefaleia em salvas e neuralgia do trigêmeo?

Ambas envolvem o nervo trigêmeo e podem causar dor intensa na face, mas têm características distintas. Na neuralgia do trigêmeo, a dor costuma ser descrita como choques elétricos muito breves, durando segundos, geralmente desencadeados por estímulos como mastigar, falar ou tocar o rosto.

Na cefaleia em salvas, a dor é mais contínua durante o episódio, dura minutos a poucas horas, está concentrada ao redor do olho, e vem acompanhada dos sinais autonômicos já descritos, o que normalmente não ocorre na neuralgia do trigêmeo.

Para saber mais sobre outros quadros de dor facial e de nervos periféricos, veja também nosso conteúdo sobre neuralgia.

Quais são as causas da cefaleia em salvas?

A causa exata ainda não é totalmente conhecida. Acredita-se que existe um envolvimento do hipotálamo, estrutura que regula ritmos biológicos, o que explicaria a periodicidade das crises e sua relação com o sono.

Alguns fatores podem funcionar como gatilhos durante o período de salva, entre eles:

  • Consumo de bebida alcoólica.
  • Uso de medicamentos da classe dos vasodilatadores, sempre sob prescrição e acompanhamento médico.
  • Alterações no padrão de sono.
  • Exposição a odores fortes, em algumas pessoas.

Fora do período de salva, esses mesmos fatores geralmente não desencadeiam crise, o que é outra característica própria dessa condição.

Como é feito o diagnóstico da cefaleia em salvas?

O diagnóstico é clínico, feito por meio da história detalhada das crises — intensidade, localização, duração, sinais associados e padrão de repetição — junto com o exame neurológico.

Não existe um exame de imagem que confirme a cefaleia em salvas isoladamente. Ainda assim, exames como ressonância ou tomografia do crânio costumam ser solicitados para afastar outras causas de dor de cabeça com características parecidas, especialmente na primeira avaliação.

Por isso é importante procurar um neurocirurgião ou neurologista para uma avaliação completa, já que o diagnóstico correto direciona o tratamento adequado.

Como é feito o tratamento da cefaleia em salvas?

O tratamento é individualizado e conduzido sob acompanhamento médico, geralmente dividido em duas frentes: o alívio da crise no momento em que ela ocorre e a prevenção de novas crises durante o período de salva.

Para o alívio da crise, existem medicações específicas, sob prescrição e acompanhamento médico, incluindo formas de administração de ação mais rápida do que os comprimidos, já que a crise costuma ser curta e intensa.

Para a prevenção, são utilizadas classes de medicamentos que ajudam a reduzir a frequência e a intensidade das crises durante o período de salva, sempre sob orientação e ajuste individualizado pelo médico.

Mudanças de hábito, como evitar álcool durante o período de salva e manter regularidade no sono, também são recomendadas como parte do manejo, mas não substituem a avaliação médica.

Quando procurar um médico?

Alguns sinais exigem avaliação médica imediata e não devem ser atribuídos apenas à cefaleia em salvas sem confirmação:

  • Dor de cabeça de início súbito, descrita como a pior da vida, especialmente se for a primeira crise.
  • Mudança clara no padrão de uma dor de cabeça já conhecida.
  • Dor de cabeça associada a febre, confusão mental, rigidez de nuca ou alteração do nível de consciência.
  • Sintomas neurológicos novos, como fraqueza, alteração da fala ou perda de visão.
  • Início de crises após os 50 anos de idade sem histórico prévio.

Nesses casos, procure atendimento médico de urgência para uma avaliação adequada.

Considerações Finais

A cefaleia em salvas é uma condição rara, mas de grande impacto na qualidade de vida durante os períodos de crise, justamente pela intensidade da dor e pelo padrão de crises repetidas, muitas vezes noturnas.

Reconhecer os sinais que a diferenciam de outras dores de cabeça, como a enxaqueca e a neuralgia do trigêmeo, é o primeiro passo para buscar o diagnóstico correto.

O acompanhamento com neurologista ou neurocirurgião permite confirmar o quadro e ajustar o tratamento de forma individualizada, reduzindo a frequência e a intensidade das crises ao longo do tempo.

Dr. Francinaldo Gomes, Neurocirurgião

Escrito e revisado por

Dr. Francinaldo Gomes

Neurocirurgião

CRM 6346 PA · RQE 3805 · CRM 103790 SP · RQE 30517

Neurocirurgião especialista em neurocirurgia funcional, com atuação em Belém-PA e São Paulo-SP.