Tipos de Epilepsia: Classificação, Sintomas e Tratamento 2026

📌 Resposta rápida

Os tipos de epilepsia são classificados em 4 grupos principais pela ILAE 2025: focal, generalizada, focal e generalizada combinadas e de origem desconhecida. Cada tipo é definido pela localização das descargas elétricas no cérebro e pelo padrão das crises. No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas vivem com epilepsia. O tratamento correto para o tipo certo controla 70 a 80% dos casos, por isso identificar o tipo é sempre o primeiro passo.

Você está na sala de espera do consultório aguardando o resultado dos exames. Seu filho de 8 anos acaba de ter a segunda crise em três meses.

Quando o médico abre a porta e chama seu nome, uma pergunta toma conta de você antes mesmo de se sentar: “Que tipo de epilepsia é essa, doutor?”

Eu sou o Doutor Francinaldo Gomes, médico neurocirurgião, especialista em neuromodulação, epilepsia e cannabis medicinal, e neste artigo vou responder exatamente essa pergunta.

Saber o tipo de epilepsia não é um detalhe técnico, é o que define o medicamento correto, a necessidade de cirurgia e a indicação de neuromodulação.

Além disso, em março de 2026, a ANVISA aprovou o cenobamato para epilepsia resistente a tratamento.

Compreender os tipos é o que define se esse avanço se aplica ao seu caso.

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Muitas famílias chegam até nós com esse mesmo medo. Sabemos que a espera pelo diagnóstico é difícil. A equipe do Instituto Dr. Francinaldo está pronto para ajudar com uma avaliação especializada e individualizada.

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Tópicos

O que é epilepsia?

epilepsia é uma condição neurológica crônica definida pela ocorrência de duas ou mais crises epilépticas não provocadas, com intervalo de pelo menos 24 horas.

Ela acontece quando neurônios disparam sinais elétricos de forma excessiva e desordenada. Esse disparo pode se concentrar em uma região específica do cérebro ou se espalhar por ambos os hemisférios.

É exatamente esse padrão que define o tipo de epilepsia e orienta o tratamento mais adequado.

No mundo, a Organização Mundial da Saúde estima que 65 milhões de pessoas vivam com epilepsia.

No Brasil, são aproximadamente 2 milhões de pessoas afetadas.

Além disso, os atendimentos ambulatoriais cresceram 120% na rede pública em 2024, segundo o CEPID BRAINN da Unicamp, reflexo direto do diagnóstico tardio ainda presente no país.

Epilepsia x convulsão: qual a diferença?

Muitas pessoas usam “epilepsia” e “convulsão” como sinônimos, mas os termos têm significados diferentes.

convulsão é o evento em si: os movimentos, a perda de consciência ou as sensações alteradas durante uma crise. A epilepsia é a condição que faz essas crises se repetirem.

Dessa forma, é possível ter uma convulsão isolada por febre alta, privação de sono ou glicose baixa no sangue, sem ter epilepsia. Essa distinção é essencial, pois nem toda convulsão exige tratamento com antiepilépticos.

O diagnóstico correto evita tanto o subtratamento quanto o uso desnecessário de medicamentos com efeitos colaterais relevantes.

Quando o médico confirma o diagnóstico de epilepsia?

O diagnóstico é confirmado por um neurologista ou neurocirurgião com base em três elementos.

Primeiro, o histórico detalhado das crises: duração, frequência e o que acontece antes, durante e depois de cada episódio.

Segundo, o resultado do eletroencefalograma (EEG), que registra a atividade elétrica do cérebro.

Terceiro, uma ressonância magnética (RM), para identificar possíveis causas estruturais.

Em casos mais complexos, o monitoramento por vídeo-EEG registra as crises em tempo real.

Além disso, esse exame é essencial para definir a origem das descargas e avaliar a indicação cirúrgica. Para saber mais, leia nosso artigo completo sobre os sintomas da epilepsia.

Neurologista analisando eletroencefalograma ao lado de familiar de paciente durante consulta de diagnóstico de epilepsia.

A nova classificação ILAE 2025: o que mudou?

A classificação dos tipos de epilepsia passou por uma atualização importante em 2025. A ILAE (Liga Internacional Contra a Epilepsia) publicou uma versão revisada que reduziu de 63 para apenas 21 tipos de crises epilépticas.

Dessa forma, o sistema tornou-se mais aplicável na prática clínica, inclusive em regiões com acesso limitado a exames especializados.

O que mudou na prática para pacientes e familiares?

A principal mudança envolve dois pontos práticos para quem vive com epilepsia.

O conceito de consciência durante a crise agora é avaliado pela capacidade de resposta e pela lembrança do evento, facilitando o relato pelo próprio paciente ao médico.

Por outro lado, a divisão rígida entre crises “motoras” e “não motoras” foi substituída por um critério mais direto: a presença ou ausência de manifestações observáveis.

Além disso, a nova classificação ampliou a aplicabilidade do diagnóstico em regiões com menos recursos tecnológicos.

Isso significa que médicos em áreas remotas do Brasil conseguem classificar as crises com mais precisão do que antes, favorecendo o tratamento correto desde o início.

Quais são as 4 classes principais da ILAE 2025?

A estrutura geral foi mantida, com linguagem mais objetiva para facilitar o uso no dia a dia clínico:

  • Epilepsia Focal: crises que começam em uma área específica de um dos hemisférios cerebrais
  • Epilepsia Generalizada: descargas que envolvem ambos os hemisférios desde o início
  • Epilepsia Focal e Generalizada Combinadas: o paciente apresenta os dois tipos de crise ao mesmo tempo
  • Epilepsia de Origem Desconhecida: quando os exames ainda não identificaram o ponto de partida das descargas

Por que o tipo de epilepsia define o tratamento?

O tipo determina diretamente qual medicamento tem mais chance de funcionar. Além disso, orienta a indicação cirúrgica, a neuromodulação e o uso de cannabis medicinal.

Por outro lado, usar o tratamento errado para o tipo equivocado pode ser ineficaz ou, em alguns casos, agravar as crises.

Um exemplo concreto: algumas medicações indicadas para epilepsia generalizada podem piorar significativamente as crises em pacientes com epilepsia focal.

Por isso, o diagnóstico preciso é sempre o primeiro passo, antes de qualquer decisão terapêutica.

Critério ILAE 2017 ILAE 2025
Número de tipos de crises 63 21
Avaliação da consciência Baseada no conceito de awareness Baseada em responsividade e memória do evento
Divisão motor / não motor Presente Removida
Aplicabilidade sem EEG Limitada Ampliada
Foco em avaliação pré-cirúrgica Parcial Reforçado

📌 Novidade de março/2026

A ANVISA aprovou o cenobamato, o primeiro medicamento com mecanismo de ação inédito para epilepsia farmacorresistente registrado no Brasil em mais de uma década. O tratamento é indicado especificamente para adultos com crises focais que não respondem a outros antiepilépticos. Mais um motivo para identificar corretamente o tipo de epilepsia antes de iniciar qualquer tratamento.

Quais são os tipos de crises epilépticas?

Infográfico com os 5 tipos de crises epilépticas segundo a classificação ILAE 2025: focal, tônico-clônica, ausência, mioclônica e atônica.

Os tipos de crises epilépticas descrevem o que acontece durante o episódio, enquanto os tipos de epilepsia descrevem a condição em si. São duas classificações diferentes e complementares.

Conhecer o tipo de crise é o que permite ao médico prescrever o medicamento certo e orientar você sobre o que fazer durante um episódio.

Segundo a ILAE 2025, as crises se dividem em dois grandes grupos: as focais, que começam em uma área específica do cérebro, e as generalizadas, que envolvem ambos os hemisférios desde o início.

Crise focal: o que acontece no corpo?

crise focal começa em um ponto limitado do cérebro.

Os sintomas dependem da área afetada e podem incluir sensações estranhas no estômago, formigamentos, cheiros inexistentes, movimentos involuntários em um membro ou sensação de déjà vu.

Em alguns casos, a consciência é preservada e a pessoa se lembra de tudo o que aconteceu. Em outros, a consciência é comprometida e o paciente fica confuso durante e após a crise.

As crises focais duram, em média, de 1 a 3 minutos. Além disso, elas podem se espalhar para os dois hemisférios e se transformar em uma crise tônico-clônica generalizada.

Quando isso ocorre, o diagnóstico de origem focal pode ser mais difícil sem um vídeo-EEG.

Crise tônico-clônica: o que acontece no corpo?

crise tônico-clônica é a mais conhecida popularmente. Ela começa com uma fase tônica: o corpo enrijece, a pessoa cai e pode apresentar gritos involuntários causados pelo ar expelido dos pulmões.

Em seguida, vem a fase clônica: abalos rítmicos nos membros, salivação e, às vezes, perda do controle da bexiga.

A crise dura geralmente de 2 a 5 minutos. Após o episódio, é comum um período de confusão, sonolência intensa e dores musculares, chamado de fase pós-ictal.

Dessa forma, mesmo depois que a crise passa, a pessoa precisa de tempo e cuidado antes de retomar suas atividades.

Crise de ausência: o tipo que passa despercebido

crise de ausência é frequentemente confundida com distração ou sonhos acordado, especialmente em crianças.

Durante a crise, a pessoa interrompe o que está fazendo, fica com o olhar fixo e sem responder, por vezes com piscar de olhos rápido. Não há queda, não há confusão depois.

Essas crises duram apenas 3 a 10 segundos, mas podem acontecer dezenas de vezes ao dia. Por isso, em crianças, elas costumam ser detectadas primeiro pelos professores, que percebem a “desatenção” repetida em sala de aula.

Crise mioclônica: os abalos rápidos da manhã

crise mioclônica se manifesta como abalos musculares rápidos e involuntários, geralmente nos braços.

São tão breves que muitas pessoas os descrevem como “um susto”. Esses episódios ocorrem frequentemente logo após acordar e são muito característicos da epilepsia mioclônica juvenil. A consciência é preservada durante toda a crise.

Tipo de Crise Sintomas Principais Duração Média Consciência
Focal consciente Sensações estranhas, movimentos automáticos, déjà vu 1 a 3 minutos Preservada
Focal com comprometimento Olhar fixo, automatismos, confusão pós-crise 1 a 3 minutos Comprometida
Tônico-clônica Rigidez, abalos, queda, salivação 2 a 5 minutos Ausente
De ausência Olhar fixo, pausa breve, piscar de olhos 3 a 10 segundos Suspensa
Mioclônica Abalos rápidos nos braços, geralmente ao acordar Segundos Preservada
Atônica Queda súbita por perda do tônus muscular Segundos Breve perda

O que é epilepsia focal?

epilepsia focal é o tipo mais comum em adultos. As crises se originam sempre em uma área específica de um hemisfério cerebral.

Os sintomas variam conforme o lobo afetado, o que significa que duas pessoas com epilepsia focal podem ter experiências completamente diferentes durante uma crise.

Epilepsia do lobo temporal: a mais comum

A epilepsia do lobo temporal representa cerca de 40% de todos os casos de epilepsia focal. O lobo temporal é responsável pela memória, emoções e interpretação dos sons.

Dessa forma, as crises costumam incluir sensações estranhas no estômago, sentimentos intensos de medo ou alegria, cheiros inexistentes e a clássica sensação de déjà vu.

Além disso, as crises do lobo temporal mesial são as que mais frequentemente evoluem para epilepsia refratária.

Por outro lado, esse é também o tipo com melhor resposta cirúrgica: a ressecção do foco epiléptico controla as crises em 60 a 70% dos casos adequadamente selecionados.

Epilepsia do lobo frontal: as crises que acordam à noite

A epilepsia do lobo frontal é a segunda mais comum entre os tipos focais.

As crises costumam ocorrer durante o sono e envolvem movimentos amplos e incomuns: pedaladas com as pernas, movimentos pélvicos, vocalização ou posturas forçadas dos braços.

Por isso, são frequentemente confundidas com distúrbios do sono.

Ao contrário das crises do lobo temporal, as do lobo frontal costumam ser curtas (menos de 1 minuto) e se repetem várias vezes durante a madrugada. A consciência pode ser preservada mesmo durante episódios intensos.

Epilepsia dos lobos occipital e parietal

As epilepsias do lobo occipital e do lobo parietal representam, cada uma, cerca de 5% dos casos focais. As crises occipitais afetam a visão: flashes, alucinações visuais coloridas ou cegueira parcial transitória.

Além disso, podem causar náuseas e vômitos, sendo frequentemente confundidas com enxaqueca com aura.

As crises parietais, por sua vez, envolvem o processamento sensorial. A pessoa pode sentir formigamentos, dormência ou sensações de calor em uma parte específica do corpo, geralmente no lado oposto ao lobo afetado.

Ilustração médica dos 4 lobos cerebrais coloridos individualmente, identificando as regiões de origem da epilepsia focal.

🧠 Sabe em qual lobo estão suas crises?

Identificar a origem das crises é o primeiro passo para avaliar se há indicação cirúrgica ou de neuromodulação. Cada caso é único. O Dr. Francinaldo Gomes realiza avaliação individualizada para definir o melhor caminho para o seu caso.

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O que é epilepsia generalizada?

epilepsia generalizada ocorre quando as descargas elétricas anormais envolvem ambos os hemisférios cerebrais simultaneamente desde o início da crise.

Por isso, os sintomas costumam ser mais amplos do que os da epilepsia focal, afetando o corpo inteiro e, frequentemente, causando perda de consciência.

O que é epilepsia mioclônica juvenil?

epilepsia mioclônica juvenil (EMJ) é um dos tipos mais comuns de epilepsia generalizada.

Costuma surgir na adolescência, entre 12 e 18 anos, e se manifesta principalmente por abalos musculares rápidos logo após acordar. Além disso, crises tônico-clônicas e de ausência podem ocorrer no mesmo paciente.

A boa notícia: a EMJ responde bem ao tratamento medicamentoso. No entanto, é um tipo que exige uso contínuo da medicação por toda a vida na maior parte dos casos, pois a chance de recorrência após a suspensão é alta.

Síndrome de Lennox-Gastaut: epilepsia generalizada grave

Síndrome de Lennox-Gastaut é uma forma grave de epilepsia generalizada que afeta principalmente crianças.

As crises são múltiplas, de tipos variados, e frequentemente resistentes aos medicamentos convencionais. Além disso, a síndrome está associada a comprometimento intelectual e atraso no desenvolvimento.

O diagnóstico é feito pela combinação de três elementos: crises múltiplas de difícil controle, alteração específica no EEG e comprometimento cognitivo.

Por isso, o acompanhamento por especialista experiente é fundamental desde o início do quadro.

Síndrome de West: o espasmo infantil que exige atenção imediata

Síndrome de West é uma encefalopatia epiléptica grave que surge nos primeiros meses de vida, geralmente entre 3 e 12 meses.

As crises, chamadas de espasmos infantis, são breves contrações do tronco e dos membros que ocorrem em séries. Além das crises, a criança apresenta regressão do desenvolvimento: perde habilidades que já havia adquirido.

O diagnóstico e o tratamento precoces são decisivos para o prognóstico. Quanto mais rapidamente os espasmos forem controlados, maiores as chances de preservar o desenvolvimento neurológico da criança.

Infográfico comparativo entre epilepsia focal com descarga em um hemisfério e epilepsia generalizada com descarga em ambos os hemisférios cerebrais.

📌 Epilepsia em crianças: atenção aos sinais

Crises de ausência, espasmos infantis e regressão do desenvolvimento podem ser os primeiros sinais de epilepsia generalizada em crianças. O diagnóstico precoce muda o prognóstico. Se você observa episódios repetidos de “olhar perdido”, quedas sem motivo ou abalos ao acordar, procure um especialista antes de aguardar a “próxima consulta de rotina”.

O que é epilepsia refratária?

epilepsia refratária, também chamada de epilepsia farmacorresistente, é definida quando as crises persistem após o uso correto de pelo menos dois medicamentos antiepilépticos adequados ao tipo de epilepsia, em doses terapêuticas.

Esse quadro afeta aproximadamente 30% dos pacientes com epilepsia e representa o maior desafio clínico da especialidade, pois as crises não controladas afetam diretamente a qualidade de vida, o trabalho e a segurança do paciente.

Como o médico define o diagnóstico de refratariedade?

O diagnóstico de epilepsia refratária exige dois critérios objetivos. Primeiro, a falha comprovada de dois antiepilépticos diferentes, usados de forma correta e com tolerância adequada.

Segundo, a confirmação do tipo de epilepsia por EEG e ressonância magnética, para garantir que os medicamentos usados foram os mais indicados para aquele tipo específico.

Além disso, o médico precisa descartar causas tratáveis que possam estar mantendo as crises, como uma lesão estrutural operável ou fatores de estilo de vida que interferem no tratamento.

Dessa forma, o diagnóstico de refratariedade é sempre um processo criterioso, não apenas a soma de medicamentos que “não funcionaram”.

Cenobamato: o que muda com a aprovação da ANVISA em 2026?

Em março de 2026, a ANVISA aprovou o cenobamato para o tratamento de adultos com crises focais farmacorresistentes.

Trata-se do primeiro medicamento com mecanismo de ação inédito registrado no Brasil em mais de uma década: atua simultaneamente em dois canais diferentes do neurônio, reduzindo as descargas com maior eficácia do que os antiepilépticos convencionais.

Estudos clínicos demonstraram que o cenobamato reduziu a frequência de crises em mais de 50% em até 55% dos pacientes tratados.

Por outro lado, é um medicamento indicado exclusivamente para adultos com epilepsia focal resistente, o que reforça, mais uma vez, a importância de identificar corretamente o tipo de epilepsia antes de qualquer decisão terapêutica.

Quais são as outras opções além dos medicamentos?

Quando os medicamentos não controlam as crises, existem outras abordagens que podem ser avaliadas por um especialista:

  • Cirurgia de epilepsia: indicada quando o foco está localizado em uma área operável e bem delimitada. Nos casos de epilepsia do lobo temporal mesial, o controle cirúrgico chega a 60-70%
  • Neuromodulação: técnicas como a estimulação do nervo vago (VNS), a estimulação cerebral profunda (DBS) e a estimulação transcraniana reduzem a frequência das crises sem abrir o crânio
  • Cannabis medicinal: o canabidiol (CBD) é aprovado pela ANVISA para epilepsias graves como a Síndrome de Dravet e a Síndrome de Lennox-Gastaut. Leia nosso artigo completo sobre canabidiol e epilepsia
  • Dieta cetogênica: especialmente indicada em crianças com epilepsias generalizadas refratárias, como a Síndrome de West
Infográfico com os 4 caminhos de tratamento para epilepsia refratária: cirurgia, neuromodulação, cannabis medicinal e dieta cetogênica.

💊 Os medicamentos não estão controlando as crises?

Muitas famílias chegam até nós depois de anos sem uma resposta satisfatória. A ciência já demonstra que existem caminhos além dos medicamentos convencionais. O Dr. Francinaldo avalia cada caso individualmente para indicar a melhor abordagem.

Quero uma segunda opinião

O que não pode fazer quem tem epilepsia?

Ter epilepsia não significa abrir mão da vida. Com o tipo correto identificado e o tratamento adequado, a grande maioria das pessoas leva uma rotina normal.

No entanto, algumas situações exigem atenção e orientação médica individualizada, pois podem aumentar o risco de crises ou colocar a segurança em risco.

Quem tem epilepsia pode dirigir no Brasil?

Sim, é possível dirigir com epilepsia no Brasil.

A legislação vigente (Resolução CONTRAN nº 924/2022) permite a obtenção ou renovação da CNH desde que o paciente esteja há pelo menos 12 meses sem crises, com acompanhamento médico documentado e parecer favorável do médico assistente.

Além disso, existem restrições específicas por categoria. Motoristas das categorias C, D e E (transporte de passageiros e carga) têm exigências mais rigorosas e, em geral, a epilepsia ativa impede a habilitação nessas categorias.

Por outro lado, condutores da categoria B que mantêm controle das crises podem dirigir normalmente, com renovação da CNH avaliada caso a caso.

Esportes, álcool e privação de sono: o que diz a ciência?

Três fatores são comprovadamente associados ao aumento da frequência de crises:

  • Privação de sono: o mais relevante de todos. Dormir pouco é um dos principais gatilhos de crises, especialmente em epilepsias como a mioclônica juvenil. Manter uma rotina regular de sono é parte do tratamento
  • Álcool: o consumo em excesso reduz o limiar de crises. Além disso, o álcool interfere na eficácia de alguns antiepilépticos. O consumo ocasional e moderado pode ser discutido com o médico
  • Esportes: a maioria dos esportes é permitida e até incentivada. Natação e esportes de altura (escalada, paraquedismo) exigem acompanhamento e precauções específicas

Epilepsia e gravidez: é possível ter filhos?

Sim, a maioria das mulheres com epilepsia tem gestações saudáveis. No entanto, o planejamento é fundamental. Alguns antiepilépticos têm potencial teratogênico, ou seja, podem afetar o desenvolvimento do bebê durante a gestação.

Por isso, a troca ou ajuste do medicamento antes de engravidar é frequentemente necessária e deve ser feita com orientação especializada.

Além disso, as crises durante a gravidez representam risco tanto para a mãe quanto para o bebê.

Dessa forma, o controle rigoroso das crises no período pré-concepcional é parte essencial do acompanhamento de mulheres com epilepsia em idade fértil.

📋 Checklist: quais gatilhos fazem parte da sua rotina?

Marque os que se aplicam ao seu caso e leve para a sua próxima consulta.

Marcou 3 ou mais? Leve esse checklist para a sua próxima consulta. Identificar os gatilhos pessoais é parte essencial do controle da epilepsia.

📌 Planejamento é proteção

Mulheres com epilepsia que planejam engravidar devem comunicar seu médico antes da concepção. A avaliação do medicamento em uso, a suplementação de ácido fólico em doses adequadas e o acompanhamento pré-natal especializado fazem toda a diferença no resultado da gestação.

Epilepsia tem cura?

A resposta depende do tipo. Para alguns tipos de epilepsia, o controle total das crises é possível, inclusive com possibilidade de retirada gradual dos medicamentos após anos sem episódios.

Para outros, o tratamento é contínuo e voltado para a melhor qualidade de vida possível. De qualquer forma, epilepsia controlada é epilepsia tratada, e isso muda completamente a rotina de quem vive com a condição.

Quais tipos têm maior chance de remissão?

A epilepsia benigna da infância com pontas centrotemporais (BECT), também chamada de epilepsia rolândica, é um dos tipos com melhor prognóstico: a maioria das crianças entra em remissão espontânea na adolescência, sem necessidade de medicação por toda a vida. A epilepsia de ausência da infância também tem alta taxa de remissão.

Por outro lado, a epilepsia mioclônica juvenil tende a exigir tratamento contínuo.

Além disso, a epilepsia do lobo temporal com esclerose hipocampal costuma ser refratária aos medicamentos, mas responde bem à cirurgia em casos selecionados. Cada caso precisa ser avaliado individualmente.

Como é a qualidade de vida com epilepsia?

Adulto sorrindo ao ar livre representando qualidade de vida com epilepsia controlada por tratamento adequado.

Com o diagnóstico correto do tipo e o tratamento adequado, 70 a 80% das pessoas com epilepsia controlam completamente as crises.

Isso significa trabalho, escola, relacionamentos, esportes e uma vida plena. O estigma em torno da epilepsia ainda é um obstáculo maior do que a própria condição para muitos pacientes.

A ciência já demonstra que o acompanhamento regular com um especialista, a adesão ao tratamento e o conhecimento sobre os próprios gatilhos são os fatores mais determinantes para a qualidade de vida.

Conheça mais sobre a evolução da epilepsia e suas relações com outros transtornos em nosso blog.

Cada caso de epilepsia é único.

O tipo certo de epilepsia, identificado com precisão, é o que abre o caminho para o tratamento mais eficaz. O Dr. Francinaldo Gomes realiza avaliação individualizada, baseada nas evidências mais recentes, com um olhar humano sobre tudo o que você está vivendo.

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FAQ: perguntas reais de pacientes e cuidadores

Quantos tipos de epilepsia existem?

Segundo a classificação ILAE 2025, existem 4 grupos principais: focal, generalizada, focal e generalizada combinadas, e de origem desconhecida.

Dentro desses grupos, há subtipos e síndromes específicas, como a Síndrome de West e a de Lennox-Gastaut.

Epilepsia focal tem cura?

Depende do tipo e da causa. A epilepsia do lobo temporal com esclerose hipocampal, por exemplo, pode ser controlada cirurgicamente em 60 a 70% dos casos.

Outros tipos focais respondem bem à medicação e entram em remissão prolongada.

Qual a diferença entre epilepsia focal e generalizada?

Na epilepsia focal, as crises começam em uma área específica de um hemisfério cerebral. Na generalizada, as descargas envolvem ambos os hemisférios simultaneamente desde o início.

Essa diferença define o medicamento correto e as possibilidades de tratamento.

O que é epilepsia refratária e como é tratada?

É quando as crises persistem após o uso adequado de pelo menos dois antiepilépticos diferentes.

O tratamento pode incluir cirurgia, neuromodulação, cannabis medicinal ou novos medicamentos como o cenobamato, aprovado pela ANVISA em março de 2026.

Quem tem epilepsia pode dirigir no Brasil?

Sim, desde que esteja há pelo menos 12 meses sem crises, com acompanhamento médico documentado e parecer favorável do médico.

A legislação é estabelecida pela Resolução CONTRAN nº 924/2022.

Epilepsia é hereditária?

Alguns tipos têm forte componente genético, como a epilepsia mioclônica juvenil e certas síndromes infantis.

Outros são causados por fatores estruturais adquiridos, como traumas ou tumores. Uma avaliação genética pode ser indicada em casos específicos.

Epilepsia infantil tem cura?

Depende do tipo. A epilepsia rolândica e a epilepsia de ausência da infância têm alta taxa de remissão espontânea na adolescência.

Já síndromes como West e Lennox-Gastaut exigem tratamento contínuo e acompanhamento especializado ao longo de toda a vida.

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YONY NUÑEZ ARANIBAR
YONY NUÑEZ ARANIBAR
4 anos atrás

Muito interesante o tema!!! Saber sobre eles….. nos ajuda a lidar com pessoas com esse PROBLEMA.

É muito interesante esse conhecimento para todos!!!

YONY NUÑEZ ARANIBAR
YONY NUÑEZ ARANIBAR
4 anos atrás

Ter pessoas ao lado para acompanhar sempre ao que lida com essa dificuldade é muito importante!!! JÁ QUE há momento em que eles quando ESTÃO em crisis precisam da gente!!!

LÍLIA TEREZA BRASIL PONCIANO DE SOUZA
LÍLIA TEREZA BRASIL PONCIANO DE SOUZA
2 anos atrás

A epilepsia é algo que nos intriga bastante e quanto mais informações tivermos sobre o assunto, melhor saberemos lidar com essa condição que afeta a saúde de muitas pessoas.
É importante ressaltar, que episódios de convulsões epiléticas, ainda causam medo em algumas pessoas, por acharem que é algo contagioso. Já ouvi muito isso! Justamente pela falta de informação e conhecimento.
Por essa razão, é necessário compartilhar as informações contidas nesse artigo, com o maior número de pessoas possível!
Parabéns, dr. Francinaldo, por esse post esclarecedor sobre a epilepsia.

Dr Francinaldo Gomes
Editor
10 dias atrás

Lília, obrigado pelo comentário tão cuidadoso! Você tocou em um ponto que me preocupa muito na prática clínica: o medo causado pela falta de informação. Infelizmente, o estigma ainda afasta muitas pessoas do diagnóstico correto e do tratamento adequado.

Epilepsia não é contagiosa, não é “loucura” e não impede uma vida plena. Com o tipo identificado e o tratamento certo, a grande maioria das pessoas controla completamente as crises.

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